O nível do rio Tapajós, em Santarém, no oeste do Pará, continua apresentando uma trajetória de subida lenta e constante. De acordo com os registros mais recentes da Defesa Civil, a cota atingiu 6,94 metros nesta terça-feira (5), mantendo uma tendência de elevação que tem sido observada de forma ininterrupta desde o final de abril. O cenário, embora exija monitoramento, é considerado dentro da normalidade para esta época do ano.
Monitoramento e comportamento das águas
O avanço das águas tem sido acompanhado de perto pelas autoridades locais. Na última semana, o rio registrou um crescimento progressivo, saindo da marca de 6,72 metros em 28 de abril para os atuais 6,94 metros. Apesar da subida, o volume de água está significativamente abaixo do observado em anos anteriores, como em 2025, quando o rio já superava a marca de 7,40 metros no mesmo período.
Atualmente, o município de Santarém permanece fora de qualquer situação de risco imediato. A cota de alerta para a região é de 7,10 metros, patamar que ainda não foi alcançado. Para fins de comparação histórica, a marca atual está 1,18 metro abaixo do nível registrado no mesmo período de 2009, ano marcado por uma cheia histórica que impactou a infraestrutura local.
Influência do clima e previsões meteorológicas
A subida do Tapajós está diretamente atrelada ao regime de chuvas, que, embora em fase de transição, ainda mantém volumes expressivos. Segundo Alex Santos, meteorologista e professor de Ciências Atmosféricas da Ufopa, o mês de maio é caracterizado por uma redução gradual das precipitações, mas ainda dentro da climatologia esperada para a região.
O especialista aponta que os primeiros dias de maio já acumularam entre 35 e 40 milímetros de chuva, com uma expectativa de que o mês encerre com um volume próximo a 390 milímetros. O padrão climático atual alterna períodos de sol e pancadas de chuva, o que eleva a sensação térmica de abafamento na cidade. Não há, contudo, previsão de fenômenos climáticos extremos que possam desencadear uma estiagem severa, como as observadas em 2023 e 2024.
Gestão de riscos e expectativas para junho
Para a Defesa Civil, a situação está sob controle. O coordenador Darlisson Maia reforça que o comportamento do rio segue o fluxo esperado para o ciclo hidrológico regional. Como medida preventiva, as bombas de drenagem instaladas na orla da cidade continuam operando de forma automática, garantindo que o escoamento das águas pluviais ocorra sem transtornos para a população.
A tendência para as próximas semanas é de que o rio continue subindo de maneira moderada. A expectativa técnica é de que, a partir de junho, o Tapajós inicie um processo de estabilização, preparando-se para o período de vazante. O Portal Pai D’Égua segue acompanhando o monitoramento das autoridades e trará atualizações constantes sobre o nível dos rios e o impacto climático na região, reafirmando nosso compromisso com a informação precisa e de qualidade para os nossos leitores.