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Ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil em duas décadas, aponta estudo

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© Paulo Pinto/Agência Brasil
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Impacto invisível das temperaturas extremas na saúde pública

Um levantamento inédito realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) trouxe à tona um dado alarmante sobre a saúde pública no país. Entre os anos de 2000 e 2019, cerca de 120 mil mortes no Brasil foram associadas diretamente às ondas de calor. O número representa 0,6% do total de óbitos registrados no período, excluindo casos decorrentes de causas externas, como acidentes e episódios de violência.

A pesquisa, intitulada Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, analisou 5.566 municípios brasileiros, abrangendo praticamente todo o território nacional. O estudo destaca que o calor extremo não é apenas um desconforto climático, mas um fator de risco real que sobrecarrega o sistema de saúde e exige medidas urgentes de adaptação urbana e vigilância epidemiológica.

Vulnerabilidade e desigualdade social

Os resultados indicam que os efeitos das altas temperaturas não atingem a população de maneira uniforme. Grupos historicamente mais vulneráveis, como idosos, pessoas com doenças respiratórias preexistentes e indivíduos com menor nível de escolaridade, apresentam maior risco de óbito durante períodos de calor prolongado. A análise aponta que a desigualdade social atua como um agravante, dificultando o acesso a ambientes climatizados ou a recursos básicos de hidratação e proteção.

Além da mortalidade, o estudo detalha um aumento expressivo nas internações hospitalares. Em crianças com menos de 10 anos, por exemplo, o calor extremo está fortemente associado a casos de gastroenterite, impulsionados pela maior vulnerabilidade à desidratação e pela deterioração da qualidade da água e dos alimentos sob temperaturas elevadas. Já entre os idosos, o risco se concentra em doenças renais, metabólicas e respiratórias, muitas vezes evoluindo para quadros graves rapidamente.

Monitoramento e o papel do SUS

Diante do cenário de mudanças climáticas, os pesquisadores defendem a integração de dados meteorológicos às ações de vigilância do Sistema Único de Saúde (SUS). A ideia é que o país passe a contar com sistemas de alerta antecipado mais robustos, permitindo que gestores públicos preparem as redes de atendimento antes que as ondas de calor atinjam picos de intensidade. A necessidade de cidades mais verdes, com maior cobertura vegetal e planejamento urbano resiliente, também é apontada como um caminho essencial para reduzir a exposição da população.

O estudo foi viabilizado por meio de cooperação técnica envolvendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e instituições alemãs. A iniciativa reforça a importância de tratar a crise climática como uma questão central de saúde pública, indo além das discussões estritamente ambientais.

Para acompanhar mais notícias sobre ciência, meio ambiente e o impacto das mudanças climáticas no cotidiano dos brasileiros, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, relevantes e fundamentais para a compreensão dos desafios contemporâneos.

As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.

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