O drama de uma migrante no terminal de Val-de-Cans
Uma situação de vulnerabilidade extrema chama a atenção de passageiros e autoridades no Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, em Belém. Há cerca de dois meses, uma mulher de 56 anos, natural de Serra Leoa, na África Ocidental, utiliza o saguão do terminal como moradia improvisada. A estadia prolongada no local é resultado de uma série de contratempos burocráticos envolvendo seu passaporte, que a impediram de seguir viagem e esgotaram seus recursos financeiros.
A jornada da migrante, identificada em registros oficiais como Fatmata, começou com um deslocamento de São Paulo rumo à Colômbia, com escala na Venezuela. Foi durante essa parada que o documento de viagem foi retido para averiguação, forçando seu retorno ao território brasileiro. O episódio desencadeou um efeito cascata: sem o passaporte regularizado, ela perdeu uma passagem aérea adquirida por R$ 1,2 mil, ficando sem meios de subsistência para custear hospedagem ou alimentação.
Rotina de sobrevivência e assistência social
O cotidiano da estrangeira no aeroporto é marcado pela precariedade. Sem um teto, ela dorme no chão do terminal e, durante o dia, busca auxílio em instituições assistenciais no centro da capital paraense. A rotina inclui o deslocamento diário por ônibus para realizar refeições básicas, retornando ao aeroporto ao anoitecer. A alimentação noturna, muitas vezes, depende exclusivamente da solidariedade de frequentadores e funcionários do local.
A situação remete ao enredo do filme “O Terminal”, onde um viajante fica retido em um aeroporto devido a impasses diplomáticos. Contudo, no caso real em Belém, a rede de proteção social foi acionada para buscar uma solução definitiva. O caso, que ganhou visibilidade após divulgação inicial pelo portal Seles Nafes, mobilizou órgãos de controle e assistência.
Atuação dos órgãos de proteção e direitos humanos
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou a instauração de um procedimento para articular medidas emergenciais. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão expediu ofícios a diversas instâncias, incluindo as secretarias estaduais e municipais de assistência social, além de solicitar informações à administração do aeroporto. O objetivo é garantir acolhimento provisório e suporte jurídico à migrante.
A atuação envolve também a Defensoria Pública da União (DPU) e a Polícia Civil, que buscam mediar o conflito com a companhia aérea e regularizar a situação migratória. A existência de um Posto Avançado de Atendimento ao Migrante no aeroporto, fruto de ações civis públicas anteriores, tem sido um dos pontos de apoio para tentar resolver o impasse documental e humanitário.
O Portal Pai D’Égua segue acompanhando o desdobramento deste caso e a resposta das autoridades envolvidas. Continue conectado conosco para atualizações sobre esta e outras pautas de relevância social em nossa região.
As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.