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Jogo das emoções no Hospital Octávio Lobo apoia crianças em tratamento oncológico

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Imagem gerada com IA
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Em uma iniciativa que une saúde e educação, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) promoveu, na última terça-feira, 28 de abril de 2026, uma dinâmica lúdica focada no reconhecimento das emoções. A atividade, realizada em parceria com acadêmicos voluntários do curso de Psicologia da Faculdade Estácio, teve como objetivo principal oferecer acolhimento e estimular o desenvolvimento emocional de crianças em tratamento oncológico, integrando-as à Classe Hospitalar Professor Roberto França.

A ação utilizou o inovador “Jogo das Emoções” para abordar de maneira leve e didática sentimentos complexos como alegria, tristeza, raiva e ansiedade. Em um ambiente que muitas vezes impõe desafios emocionais significativos, a capacidade de identificar e expressar essas emoções se mostra um pilar fundamental para o bem-estar e a adesão ao tratamento dos pequenos pacientes.

A importância de reconhecer as emoções no ambiente hospitalar

O psicólogo do Hospital Octávio Lobo, Thiago Pinheiro, ressaltou a relevância da atividade para o desenvolvimento infantil, especialmente no contexto hospitalar. Segundo ele, a infância é uma fase de intensas transformações e descobertas, e a habilidade de nomear e compreender sentimentos como raiva, medo ou tristeza é crucial para que a criança possa lidar melhor com sua condição e colaborar com o plano terapêutico.

“No ambiente hospitalar, isso é ainda mais importante, porque há alterações na rotina e no corpo que podem confundir a criança e impactar o tratamento. Quando o paciente reconhece o que sente, ele consegue lidar melhor com o tratamento e criar vínculos com a equipe de saúde”, explicou Pinheiro. A compreensão das próprias emoções permite que a criança não apenas se sinta mais segura, mas também se comunique de forma mais eficaz com os profissionais de saúde, facilitando um cuidado mais personalizado e humano.

Dinâmica interativa: um caminho para o acolhimento e aprendizado

A ação foi cuidadosamente estruturada em diversas etapas para maximizar o engajamento e o aprendizado. Começou com uma apresentação lúdica, seguida por exercícios que utilizavam estímulos visuais e expressões faciais. Posteriormente, foram introduzidas dinâmicas interativas com cartões ilustrativos, mímicas e simulações de situações do cotidiano, permitindo que as crianças explorassem diferentes cenários emocionais.

A metodologia empregada baseou-se em princípios de aprendizagem ativa e reforço positivo, com a equipe incentivando a participação através de elogios e recompensas simbólicas. Para Natacha Cardoso, coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Hoiol, iniciativas como essa são essenciais para a humanização do ambiente hospitalar e estão em plena sintonia com a Política Nacional de Humanização (PNH). “A humanização está em adaptar o cuidado às necessidades de cada criança, considerando aspectos biológicos, emocionais e sociais”, afirmou Cardoso, destacando a importância de um olhar integral para o paciente.

A voz das crianças e o impacto na formação profissional

A acadêmica de psicologia Carla Santana, uma das idealizadoras da proposta, explicou que a ideia surgiu de uma disciplina que estimula intervenções em comunidades. O objetivo era claro: proporcionar um espaço seguro para que as crianças pudessem compreender melhor seus sentimentos, especialmente aqueles mais difíceis de identificar, como ansiedade e tristeza, em um período tão delicado como a hospitalização.

O “Jogo das Emoções” superou as expectativas da equipe, permitindo que as crianças expressassem suas vivências de forma significativa. A receptividade dos pequenos foi um dos pontos mais marcantes. “Foi muito benéfico, a gente conseguiu conduzir a atividade e o olhar e a alegria com que eles nos receberam foram marcantes”, disse Carla. Para a futura psicóloga, a experiência foi transformadora, contribuindo diretamente para sua qualificação profissional: “É uma experiência única, que vai ficar eternizada na nossa formação e na nossa vida”.

Entre os participantes, a alegria foi um sentimento que se destacou. Wanderley Couto, de 8 anos, em tratamento contra leucemia tipo B, participou com entusiasmo. “Eu gostei mais da alegria, até falei que queria ser esse sentimento. Foi muito divertido brincar assim. Aprendi os nomes das emoções e ainda ganhei um cartão da alegria e bombom”, contou o menino.

Adrian Lima, de 11 anos, também em tratamento contra leucemia, revelou ter gostado de entender mais sobre o tédio. “Foi divertido brincar, aprender com os cartões e entender mais sobre os sentimentos, como o tédio e a sensação de preguiça. Quando eu fico internado, ou não tenho nada para fazer, eu sinto isso, mas não sabia o nome”, relatou Adrian, mostrando como a atividade preencheu lacunas em seu autoconhecimento.

O papel fundamental da Classe Hospitalar no desenvolvimento infantil

A Classe Hospitalar Professor Roberto França, onde a atividade foi realizada, é fruto de uma cooperação técnica entre o Hoiol e a Coordenadoria de Educação Especial (Coes) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Este ambiente garante um atendimento pedagógico individualizado, assegurando a continuidade do processo de escolarização mesmo durante o tratamento médico.

A professora da classe, Elvira dos Santos, destacou a grande adesão das crianças, atribuindo o sucesso ao fato de o tema dialogar diretamente com o universo infantil. “As crianças se envolveram facilmente, porque o tema faz parte do imaginário delas. Isso facilita a compreensão e o aprendizado sobre as emoções”, afirmou. Natacha Cardoso complementou, enfatizando o dever de garantir a aplicação de políticas públicas como a Lei de Educação Básica (LDB) e as Leis de Assistência Oncológica. “E o brincar tem grande importância no desenvolvimento cognitivo. Muitas vezes, o que a criança não consegue expressar com palavras, ela expressa brincando”, concluiu.

O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, é uma referência na região Norte para o diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, atendendo pacientes de 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), reforçando o compromisso com a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes.

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