A Amazônia se despede de uma de suas mais influentes figuras. Lucidéa Batista Maiorana, carinhosamente conhecida como “Dona Déa”, presidente do renomado Grupo Liberal, faleceu nesta quinta-feira, 30 de maio, aos 91 anos. Sua partida marca o fim de uma era, mas solidifica um legado inestimável para a comunicação, a cultura e o desenvolvimento social na região. Nascida em Monte Alegre, no oeste do Pará, Dona Déa transcendeu suas origens humildes para se tornar uma força motriz por trás de um dos maiores conglomerados de mídia do Norte do Brasil.
Sua vida foi um testemunho de resiliência e determinação. Nascida em 10 de maio de 1934, em uma cidade a mais de mil quilômetros de Belém, sua infância foi marcada por desafios significativos, incluindo um período em que viveu em um orfanato. Ainda adolescente, a jovem Lucidéa mudou-se para a capital paraense para morar com a avó, um passo que mudaria o curso de sua vida. Foi em Belém que ela conheceu Romulo Maiorana, um jornalista e empresário que se tornaria seu parceiro na vida e nos negócios, e com quem teve sete filhos.
Maiorana: uma trajetória de superação e visão empresarial
A parceria entre Déa e Romulo Maiorana foi fundamental para a redefinição do cenário da comunicação paraense. Em 1966, o casal tomou uma decisão audaciosa: adquirir o jornal O Liberal, que estava à beira do fechamento. Com visão e trabalho árduo, eles não apenas salvaram o impresso, mas o transformaram em um dos veículos de comunicação mais influentes do país, com profunda raiz na realidade amazônica. Uma década depois, em 1976, Déa Maiorana participou ativamente da fundação da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Pará, inaugurada em 27 de abril daquele ano. Este movimento estratégico consolidou a presença da família no setor e abriu novas fronteiras para a informação e o entretenimento na região.
A morte de Romulo Maiorana em 1986 representou um ponto de virada. Dona Déa assumiu a presidência das empresas, um desafio monumental que ela abraçou com coragem e competência. Sob sua liderança, o Grupo Liberal não apenas se manteve relevante, mas também enfrentou e superou os desafios da modernização tecnológica. Ela foi uma observadora atenta das transformações no setor e uma participante ativa em momentos decisivos para a atualização da imprensa no estado, garantindo que o grupo estivesse sempre à frente, inovando e se adaptando às novas demandas do público e do mercado.
Além dos negócios: arte, cultura e impacto social
A influência de Déa Maiorana estendeu-se muito além do universo corporativo. Sua paixão pela arte e pela cultura a levou a ser uma das principais entusiastas do projeto Arte Pará, criado em 1982. Esta iniciativa se tornou uma plataforma vital para o fomento, mapeamento e difusão da produção artística da Amazônia, promovendo um diálogo nacional e conferindo visibilidade a inúmeros artistas locais. O projeto, que continua ativo, é um testemunho de seu compromisso com o enriquecimento cultural da região.
Sua profunda fé católica também se manifestou em ações de impacto social. No início dos anos 2000, Dona Déa foi uma das idealizadoras e fundadoras do Instituto Criança Vida, uma organização dedicada ao atendimento de jovens em situação de vulnerabilidade. Essa iniciativa reflete seu desejo de retribuir à sociedade e oferecer oportunidades para as futuras gerações, demonstrando uma preocupação genuína com o bem-estar e o desenvolvimento da comunidade paraense. Para mais informações sobre o Grupo Liberal e seu impacto, você pode visitar o site oficial da empresa: Grupo Liberal.
O reconhecimento e o legado duradouro
A dedicação incansável de Déa Maiorana ao estado do Pará e à sua gente foi amplamente reconhecida. Ela recebeu diversas honrarias, incluindo o prestigioso grau de comendador da Ordem ao Mérito Grão-Pará e a Ordem ao Mérito da Assembleia Legislativa. Essas distinções são um reflexo do profundo respeito e admiração que ela conquistou ao longo de sua vida.
Embora Dona Déa tenha falecido em São Paulo, onde recebia cuidados médicos, a causa de sua morte não foi divulgada pela família. O velório será realizado a partir das 11h desta sexta-feira, 1º de junho, no cemitério e Horto da Paz, localizado na rua Horto da Paz, número 191, em Itapecerica da Serra. Seu legado, no entanto, transcende a despedida física. Ele permanece vivo nas instituições que ajudou a construir, nas vozes que ecoam através dos veículos de comunicação que moldou e na memória de uma sociedade que a viu transformar desafios pessoais em um pilar de desenvolvimento para todo o Pará e a Amazônia.
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