Um mergulho na identidade pan-amazônica
O cenário cultural de Belém ganha um reforço de peso com a abertura da mostra retrospectiva do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDOC. O evento, que teve início no dia 28 de maio e segue até 13 de junho, ocupa o Cine Alexandrino Moreira, na Casa das Artes, oferecendo ao público uma curadoria selecionada de 27 obras que marcaram a trajetória recente do festival.
A iniciativa não apenas celebra o cinema, mas atua como um espelho da complexidade da região. Composta por 12 longas-metragens e 15 curtas, a programação busca conectar o espectador com as narrativas que emanam da floresta, das águas e das diversas culturas que compõem a Pan-Amazônia. As sessões ocorrem de quarta a sábado, das 19h às 21h, com entrada gratuita.
Reencontro e memória no audiovisual
Para a diretora do festival, Zienhe Castro, o evento possui um caráter de reencontro. A mostra permite que o público revisite filmes que, ao longo dos anos, provocaram debates essenciais sobre conflitos, afetos e resistências territoriais. Segundo a organização, o objetivo central é reafirmar a importância de espaços permanentes para a circulação de produções que, muitas vezes, encontram dificuldade de chegar ao grande público fora dos circuitos de festivais.
Um dos momentos mais aguardados da programação acontece no dia 30 de maio, com a exibição do primeiro corte do filme “Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista”. A obra é um exemplo do diálogo criativo que o festival busca fomentar, unindo diferentes linguagens e olhares sobre a realidade amazônica contemporânea.
Fortalecimento do Cine Alexandrino Moreira
A escolha do Cine Alexandrino Moreira para sediar a retrospectiva carrega um simbolismo importante para a cena cultural paraense. Felipe Pamplona, técnico em Gestão Cultural-Audiovisual da Casa das Artes, ressalta que o espaço foi inaugurado para o público justamente com o suporte do Amazônia FiDOC. Agora, a mostra atua como um marco na consolidação do local como um ponto de referência para o cinema independente e autoral.
O festival, que teve sua edição mais recente realizada entre 28 de abril e 6 de maio, consolidou-se como uma plataforma robusta de formação e mercado. Com a exibição de 134 obras e a realização de mais de 20 atividades formativas, o evento reafirma o seu papel estratégico na construção de uma rede de realizadores que pensam a Amazônia para além dos estereótipos, utilizando o audiovisual como ferramenta de preservação política e cultural.
Acesso e continuidade
Para aqueles que não puderem comparecer presencialmente, o festival estende seu alcance com uma mostra online especial, disponível entre os dias 4 e 7 de junho, através da plataforma amazoniaflix.com.br. A realização do evento é viabilizada pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras.
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