A trajetória de um empreendedor humanista em Santarém
No oeste do Pará, a história de Francisco Raimundo Coimbra Lobato, carinhosamente conhecido como Chico Coimbra, transcende a figura do empresário bem-sucedido. Nascido em 17 de junho de 1936, em Porto de Moz, ele escolheu Santarém como o solo onde plantaria as sementes de um desenvolvimento que, para ele, deveria ser obrigatoriamente compartilhado. Sua trajetória, marcada pela superação desde a infância, tornou-se um pilar fundamental para a identidade regional.
Órfão ainda jovem, Chico Coimbra aprendeu cedo que a resiliência era a ferramenta mais importante para a sobrevivência. Após concluir seus estudos no Colégio Dom Amando, em Santarém, buscou formação técnica em contabilidade na Escola Fênix Caixeral Paraense, em Belém, na década de 1950. Esse conhecimento técnico foi o alicerce para que ele transformasse os negócios da família em um verdadeiro império industrial, consolidado sob o Grupo Coimbra Lobato.
Pioneirismo industrial e a força do trabalho
O espírito empreendedor de Chico Coimbra não se limitava ao lucro financeiro. No final dos anos 1960, ele liderou uma expansão estratégica que colocou Santarém no mapa da industrialização da borracha. Ao implantar beneficiadoras de látex e fábricas de artefatos, ele não apenas movimentou a economia local, mas gerou centenas de empregos diretos em uma época de desafios logísticos imensos.
O Grupo Coimbra Lobato chegou a reunir mais de 800 colaboradores, com uma influência que ultrapassava as fronteiras do Pará, alcançando estados como Acre, Rondônia e São Paulo. Essa robustez operacional, no entanto, era sempre acompanhada por uma visão humanista. Para Chico, o sucesso de uma empresa era medido pela qualidade de vida que ela proporcionava aos seus trabalhadores, conceito que ele batizou de lucro social.
Educação como ponte para o futuro
Talvez o capítulo mais marcante de sua vida tenha sido o compromisso inabalável com a educação. Em um período em que o ensino superior era uma realidade distante para muitos jovens de Santarém, Chico Coimbra fundou a Associação Assistencial ao Estudante Universitário do Médio Amazonas (Asseuma). Com recursos próprios, a entidade garantiu moradia e suporte para que centenas de estudantes pudessem cursar faculdade em Belém.
Mais de 700 profissionais foram formados graças a essa iniciativa, que hoje se reflete em diversas áreas de atuação no oeste paraense. O reconhecimento desse esforço veio através da lei estadual que nomeou a Escola Tecnológica de Santarém como EETEPA Francisco Coimbra Lobato, eternizando o nome de quem entendeu, décadas atrás, que o conhecimento é o maior ativo de uma sociedade.
Um líder conciliador e a memória de uma vida
Além da vida empresarial, Chico Coimbra foi uma figura central na cultura e no esporte local. Como presidente do São Francisco Futebol Clube na década de 70, ele uniu a paixão pelo esporte ao seu papel de articulador social. Mesmo nunca ocupando cargos políticos, era uma voz ouvida e respeitada, sempre defendendo o diálogo e a conciliação entre as lideranças regionais.
Faleceu em 2016, deixando um legado que é mantido vivo por seus seis filhos e pela memória de uma comunidade que ainda colhe os frutos de sua generosidade. Como bem descreveu seu filho, João Francisco Lobato, Chico era um “colecionador de amigos” e um humanista convicto, cuja vida provou que a prosperidade material só faz sentido quando serve à dignidade humana. Para aprofundar-se em histórias que moldam nossa região, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua, seu compromisso diário com a informação relevante e o resgate da nossa identidade.