Arte como ferramenta de reinserção social
O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Renascer, situado no bairro do Marco, em Belém, transformou sua rotina nesta sexta-feira (15) com a realização do sarau “Arte, Saúde e Liberdade”. A iniciativa, que antecipa as celebrações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado em 18 de maio, promoveu um encontro entre usuários, familiares, profissionais de saúde e estudantes. O evento destacou a importância da cultura no processo terapêutico, utilizando a expressão artística como ponte para a convivência e a cidadania.
A programação foi marcada por uma diversidade de manifestações, incluindo apresentações de música, dança e poesia. Além das performances, o espaço abrigou uma exposição fotográfica e uma feira criativa. Um dos pontos altos da tarde foi a pintura coletiva de um dos muros da unidade, uma atividade que permitiu aos usuários externalizar sentimentos e subjetividades, reforçando o papel do Caps como um ambiente de acolhimento e desenvolvimento de autonomia.
Fortalecimento de vínculos e cuidado em liberdade
Para Izabela Negrão, terapeuta ocupacional com mais de duas décadas de atuação no Caps Renascer, o sarau cumpre uma função essencial para além do entretenimento. “É um momento de convivência, de expressão artística e também de reflexão sobre o cuidado em liberdade e o funcionamento dos serviços da rede de atenção psicossocial”, pontua. A profissional ressalta que a integração entre a comunidade e a unidade é um pilar fundamental para superar o estigma que historicamente envolve o sofrimento psíquico.
O impacto positivo dessa abordagem é visível na trajetória de quem frequenta o serviço. Leidiane Gatinho dos Santos, usuária da unidade desde 2005, descreve o Caps como um suporte vital. “O Caps representa para mim uma família, que me acolheu em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Participar das atividades me ajudou a reconstruir minha relação com a sociedade”, relata. O evento também deu voz a talentos como Daniel Santana, que apresentou o ensaio fotográfico “Ecos da Depressão”, uma obra que busca sensibilizar o público sobre a realidade silenciosa do adoecimento mental.
A importância da Reforma Psiquiátrica no Pará
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é uma data que convoca a sociedade a reafirmar o compromisso com a dignidade humana. Segundo Márcia Yamada, coordenadora estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, o modelo atual de atendimento foca na singularidade de cada indivíduo. “Hoje entendemos que o cuidado deve acontecer de forma integrada, respeitando a singularidade de cada usuário, promovendo autonomia, reinserção social e acesso aos direitos”, explica a gestora.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Pará é composta por uma estrutura que inclui Caps, unidades básicas de saúde e residências terapêuticas, garantindo a continuidade do tratamento. Dados da coordenação estadual indicam que o estado registrou 3.659 internações psiquiátricas em 2024, 3.907 em 2025 e, até o momento em 2026, 1.346 registros. Esses números reforçam a necessidade de manter serviços de base comunitária, como o Caps Renascer, ativos e integrados.
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