Um incidente de grandes proporções parou parte da movimentada avenida Magalhães Barata, no bairro de São Brás, em Belém, na noite da última sexta-feira (29). Uma imponente embaúba, com aproximadamente 12 metros de altura, desabou, atingindo dois veículos, danificando a fachada de um prédio histórico e provocando um verdadeiro caos no trânsito da região.
O episódio, que se deu no trecho entre as travessas Três de Maio e 14 de Abril, resultou na interdição de duas faixas da via, gerando lentidão e longas filas de veículos. A queda da árvore não apenas interrompeu o fluxo, mas também levantou questões importantes sobre a arborização urbana da capital paraense, a segurança pública e a preservação do patrimônio.
O susto e a resposta imediata na Magalhães Barata
O momento da queda foi de grande tensão para quem estava próximo. Entre os atingidos, o empreendedor Lucas Pinheiro Oliveira vivenciou o susto de dentro de seu carro. “Eu estava dentro do carro. Depois de uns cinco minutos ouvi um barulho. Caiu um galho, um tronco. Eu já sabia que era uma árvore que estava caindo em cima de mim. Meu instinto foi me abaixar”, relatou Lucas, ainda sob o impacto do ocorrido.
A preocupação inicial de Lucas, antes mesmo de sair do veículo, era com a possibilidade de fios energizados. “Demorei a sair do carro por conta dos fios. Não sabia se tinha fio energizado. Perguntei para as pessoas se havia cabo de energia”, contou. A rápida mobilização do Corpo de Bombeiros Militar foi crucial para isolar a área e iniciar o complexo trabalho de remoção da árvore. Equipes utilizaram motosserras para fracionar e retirar o vegetal, liberando as vias e os carros atingidos com o máximo cuidado.
O tenente Elias, do Corpo de Bombeiros, confirmou que, apesar da gravidade do incidente, não houve feridos, apenas danos materiais. “Estamos fazendo o fracionamento, o corte, e conseguimos liberar os dois carros atingidos com bastante cuidado para liberar a via. Não houve feridos, apenas danos materiais”, informou o oficial, aliviando a preocupação com vidas.
Queda de árvore: o impacto na vida urbana de Belém
A queda da embaúba na Magalhães Barata não é um evento isolado e reflete os desafios da gestão arbórea em grandes centros urbanos, especialmente em Belém, uma cidade conhecida por sua exuberante, mas por vezes vulnerável, vegetação. A Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), em nota, esclareceu que a árvore tombou de dentro de um estabelecimento particular, atingindo a via pública e a fachada de um prédio histórico.
Uma análise preliminar da Sezel apontou uma causa provável para o desabamento: a infestação por espécies parasitas, popularmente conhecidas como apuizeiro ou mata-pau. Essas plantas, ao se desenvolverem sobre outras árvores, podem comprometer sua estrutura e vitalidade, tornando-as mais suscetíveis a quedas, especialmente em condições de vento ou chuvas intensas.
A situação é agravada quando as árvores estão próximas a imóveis tombados, como o prédio histórico atingido. A Sezel informou que, na quinta-feira (28), equipes com 15 profissionais e quatro caminhões estiveram no local realizando a poda possível das espécies parasitas. No entanto, a remoção completa não foi executada porque as raízes e galhos estavam entrelaçados à estrutura do imóvel tombado, criando um dilema entre a segurança da árvore e a integridade do patrimônio histórico. A secretaria também realizou manutenção em quatro mangueiras próximas, sem registro de danos.
Desdobramentos e a busca por ressarcimento
O incidente deixou um rastro de prejuízos materiais e a necessidade de reparação. Um dos proprietários dos veículos atingidos já manifestou a intenção de procurar a prefeitura para buscar orientações sobre o eventual ressarcimento dos danos. Casos como este levantam a discussão sobre a responsabilidade, seja do poder público na fiscalização e manutenção da arborização, seja dos proprietários de imóveis particulares onde as árvores estão plantadas.
A complexidade da situação, envolvendo uma árvore em propriedade particular, um prédio histórico tombado e a via pública, exige uma análise cuidadosa para determinar as responsabilidades e os caminhos para a compensação dos afetados. A gestão da arborização urbana em Belém, com suas árvores centenárias e a necessidade de conciliar crescimento urbano com preservação ambiental e patrimonial, é um desafio constante que exige planejamento e ação contínua das autoridades.
Para mais informações sobre a gestão da arborização urbana e a importância da manutenção preventiva, você pode consultar fontes como a Globo.com.
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