Uma história de resiliência e superação marcou a região de Benevides, na Grande Belém, com a alta médica do piloto Altevir Edson de Alencar, de 72 anos. Ele sobreviveu a um grave acidente aéreo ocorrido em 15 de maio, quando seu avião de pequeno porte caiu em uma área rural do distrito de Murinim após uma colisão inesperada com um urubu. O idoso foi encontrado com vida cerca de 26 horas depois da queda, em meio à densa vegetação, a aproximadamente 1 km do local do impacto.
A notícia da recuperação de Altevir, divulgada por sua família nesta segunda-feira (25), trouxe alívio e reacendeu o debate sobre os desafios da aviação em regiões de mata e a importância da experiência em situações extremas. O piloto, conhecido por sua paixão pela aviação e por ter construído grande parte de sua aeronave, é um veterano com inúmeras horas de voo.
O Acidente Inesperado e o Desaparecimento no Coração da Amazônia
O incidente ocorreu por volta das 10h do dia 15 de maio, quando o monomotor pilotado por Altevir colidiu com um urubu em pleno voo. A aviação na Amazônia, vital para a conectividade de comunidades isoladas, enfrenta desafios únicos, incluindo a presença de fauna que pode representar riscos. Após o impacto, a aeronave perdeu o controle e caiu em uma área de difícil acesso, característica da paisagem paraense.
Quando as equipes de resgate chegaram ao local do acidente, a cena era desoladora: a parte frontal do avião estava cravada no solo, e a estrutura onde o piloto estaria foi completamente esmagada. Contudo, Altevir não estava na aeronave. Ferido, ele havia tomado a decisão de deixar o avião em busca de socorro, adentrando a mata e, consequentemente, perdendo-se na vasta e densa vegetação amazônica. A ausência do piloto no local do impacto deu início a uma complexa e urgente operação de buscas.
A Jornada de Sobrevivência de 26 Horas na Mata
A decisão de Altevir de se afastar dos destroços, embora arriscada, pode ter sido crucial para sua sobrevivência. Durante mais de 24 horas, o piloto de avião no Pará enfrentou os perigos da mata, as intempéries e a solidão, enquanto equipes de resgate se mobilizavam incansavelmente. Próximo ao avião, foram encontrados objetos pessoais, como relógio, óculos e peças de vestuário, além de um vidro quebrado com manchas de sangue, indicando a gravidade dos ferimentos iniciais.
A esperança renasceu quando, no dia 16 de maio, cerca de 26 horas após a queda, Altevir foi finalmente localizado com vida. O Corpo de Bombeiros, responsável pelo resgate, prestou os primeiros atendimentos ainda no local e, em seguida, o encaminhou ao Hospital Metropolitano em Ananindeua. A capacidade de resistência do piloto, aliada à sua experiência e ao conhecimento do ambiente, foram fatores determinantes para que ele pudesse ser encontrado vivo após um período tão prolongado de desaparecimento.
Paixão por Voar: A História do Piloto que Construiu Sua Aeronave
A história de Altevir Edson de Alencar é intrinsecamente ligada à sua paixão pela aviação. Antes do acidente, ele havia compartilhado um vídeo nas redes sociais onde expressava seu amor por voar e detalhava o processo de construção de sua aeronave. “Como eu não tinha condições de comprar avião, comprei o material e fabriquei 90% desse aqui. Está homologado, todo documentado. Eu vou para qualquer canto com ele. Um avião muito seguro”, afirmou o piloto na gravação.
Essa dedicação e o conhecimento técnico do piloto de avião no Pará ressaltam não apenas sua habilidade, mas também a confiança que depositava em sua máquina. De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o monomotor estava em situação regular, o que reforça a seriedade e o cuidado de Altevir com a manutenção e documentação de sua aeronave. Para mais informações sobre regulamentação aérea, consulte o site da ANAC.
A Recuperação e a Investigação em Andamento
Após dias de internação e cuidados médicos, Altevir recebeu alta, um testemunho de sua força e da eficácia do atendimento hospitalar. Enquanto o piloto se recupera, o caso segue sob investigação. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa I) é o responsável por apurar as circunstâncias da ocorrência na região, buscando entender todos os fatores que levaram à colisão e à queda.
Acidentes envolvendo colisões com aves são um risco conhecido na aviação e são cuidadosamente investigados para aprimorar as medidas de segurança. A recuperação de Altevir, no entanto, é um lembrete inspirador da capacidade humana de superar adversidades extremas.
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