A descentralização dos serviços de saúde pública no Pará tem avançado de forma estratégica na região do Baixo Amazonas. Com a abertura de novas unidades, como policlínicas e hospitais regionais, além da modernização de equipamentos e ampliação de equipes, o Governo do Estado busca reduzir um gargalo histórico: a dependência de deslocamentos exaustivos até Belém para atendimentos de média e alta complexidade. Atualmente, a rede atende diretamente a população de 12 municípios integrados, oferecendo desde consultas especializadas até cirurgias de alta tecnologia.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o foco da gestão é criar uma malha de assistência que contemple as particularidades geográficas da região. O secretário Ualame Machado destaca que o fortalecimento passa tanto pela infraestrutura própria quanto por parcerias com prefeituras e a rede privada. O objetivo central é garantir que o cidadão encontre suporte médico qualificado perto de sua residência, fortalecendo os programas estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS) no interior paraense.
Policlínica e Natea transformam o acesso a especialidades em Santarém
Um dos marcos recentes dessa expansão é a Policlínica Baixo Amazonas, inaugurada em Santarém. A unidade oferece 36 especialidades médicas e não médicas, suprindo uma demanda reprimida por exames cardiológicos, oftalmológicos e de imagem. Em pouco mais de um mês de funcionamento, o espaço já superou a marca de 2 mil atendimentos. A estrutura moderna permite a realização de pequenos procedimentos cirúrgicos e diagnósticos precisos, funcionando como um filtro essencial para desafogar os hospitais de urgência.
Anexo à Policlínica, o Núcleo de Atenção aos Transtornos do Espectro Autista (Natea) representa um avanço na política de inclusão e saúde mental. Com capacidade para 150 pacientes mensais, o núcleo utiliza espaços como o jardim sensorial para promover a regulação emocional. Um exemplo do impacto social é o caso da pequena Emily Melissa Silva, de 9 anos. Após meses de espera, ela iniciou o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, apresentando progressos significativos na comunicação, superando barreiras do mutismo seletivo através de atividades lúdicas e acolhimento especializado.
Fortalecimento dos hospitais regionais garante alta complexidade na Calha Norte
Na região da Calha Norte, o Hospital Regional de Oriximiná Menino Jesus, entregue no final de 2024, consolidou-se como referência para municípios como Alenquer, Óbidos e Terra Santa. Com 26 leitos de enfermaria e UTI, a unidade evita que pacientes em estado grave precisem enfrentar horas de viagem fluvial ou aérea. A presença de especialidades como ortopedia e traumatologia tem mudado a rotina de famílias que antes viam na distância o maior obstáculo para a recuperação de seus entes queridos.
Já o Hospital Público Regional do Baixo Amazonas (HRBA), também em Santarém, reafirma sua posição como polo de tecnologia médica. Recentemente, a unidade recebeu um novo aparelho de Ressonância Magnética de 1,5 Tesla, um investimento superior a R$ 5 milhões. Com capacidade para 450 exames mensais, o equipamento oferece imagens de alta resolução, fundamentais para o tratamento oncológico. Pacientes como a pedagoga Josiane Sousa, que utiliza o serviço para acompanhamento pós-cirúrgico, relatam a importância de ter acesso a diagnósticos de ponta sem sair da região.
Novos investimentos e parcerias privadas aceleram cirurgias e partos
Para acelerar a redução das filas de espera, o Governo do Estado firmou um contrato de aproximadamente R$ 40 milhões com a Unimed Oeste do Pará. Essa contratualização permite que pacientes do SUS utilizem a estrutura privada para cirurgias complexas, otimizando o uso dos recursos disponíveis na região. Além disso, a expectativa cresce para a entrega do novo Hospital Regional Materno-Infantil de Santarém, prevista para este semestre. O complexo terá 121 leitos e será equipado com UTI neonatal e banco de leite, focando na redução da mortalidade materna e infantil.
O planejamento estadual também contempla a saúde mental e o atendimento de urgência. Estão em fase final de estruturação o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III) e a nova Central de Regulação do Samu 192 em Santarém. Essas frentes de trabalho buscam integrar o atendimento desde o primeiro chamado de emergência até o acompanhamento terapêutico de longo prazo, criando uma rede de proteção social mais robusta e eficiente para os moradores do oeste paraense.
Convênios com prefeituras levam infraestrutura para o interior da região
A estratégia de descentralização não se limita aos grandes centros regionais. Através de convênios com as prefeituras, o Estado tem financiado a reforma e ampliação de hospitais municipais. Em Monte Alegre, o Hospital Municipal Dr. Edward Cattete Pinheiro passou por uma revitalização completa, aumentando sua capacidade de internação. Em Alenquer, o Hospital Santo Antônio também recebeu aportes significativos para modernizar suas instalações, garantindo que a atenção básica e a média complexidade caminhem juntas.
Obras em Almeirim, Porto de Moz e Itaituba seguem em ritmo acelerado, sinalizando que o investimento em saúde é uma política contínua e capilarizada. Ao fortalecer as unidades locais, o Estado garante que o sistema de regulação funcione de forma mais fluida, priorizando casos urgentes e oferecendo dignidade no atendimento cotidiano. A transformação da saúde no Baixo Amazonas é um reflexo de um planejamento que prioriza a vida e a equidade regional.
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