A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) disponibilizou, nesta semana, os registros de áudio e vídeo das comunicações entre a equipe de arbitragem de campo e a cabine do VAR durante o confronto entre Remo e Athletico-PR. A partida, válida pela 17ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, foi marcada por um clima de intensa insatisfação por parte do clube paraense, que viu decisões cruciais alterarem o rumo do placar final.
O duelo, que terminou com vitória dos visitantes por 2 a 1, gerou debates acalorados entre torcedores e especialistas. Além da expulsão do atacante Jajá, o jogo contou com a anulação de dois gols do Athletico-PR e a reversão de um pênalti que havia sido marcado originalmente a favor do Leão Azul. A transparência na divulgação desses diálogos busca esclarecer os critérios adotados pelos árbitros diante de lances interpretativos e técnicos.
A expulsão de Jajá e o critério do gesto obsceno
Um dos momentos mais críticos da partida ocorreu ainda na primeira etapa, quando o atacante Jajá, autor do gol do Remo, foi expulso após uma disputa de bola. O árbitro central Rodrigo José Pereira de Lima inicialmente havia assinalado apenas um escanteio, mas a intervenção da tecnologia mudou o cenário.
O VAR, operado por José Cláudio Rocha Filho, recomendou a revisão ao identificar um gesto obsceno do jogador em direção ao adversário. No diálogo gravado, o VAR é enfático: “Rodrigo, recomendo uma revisão para possível cartão vermelho. O jogador sentado no chão segura a sua genitália para o jogador adversário”. Após checar as imagens na tela à beira do gramado, o árbitro de campo acatou a sugestão e aplicou o cartão vermelho, deixando o Remo com um jogador a menos em um momento vital do confronto.
Reversão de pênalti e a análise de contato
Outro ponto de atrito envolveu um lance de pênalti marcado inicialmente para o Remo. Em disputa dentro da área, o jogador Marcelinho caiu após contato com a defesa adversária. A equipe de arbitragem de vídeo, contudo, avaliou a jogada de forma distinta da percepção inicial do campo.
“O jogador tem o contato, mas o contato é natural da disputa e o jogador se projeta para se atirar para o solo”, justificou o VAR. Com essa interpretação, o árbitro Rodrigo de Lima retornou ao campo e anulou a penalidade. A decisão foi duramente criticada pelo técnico Léo Condé, que questionou a falta de critérios, citando que lances similares envolvendo o atacante Alef Manga, em favor do Remo, não teriam recebido a mesma atenção da arbitragem ao longo do primeiro tempo.
Gols anulados e o impacto na tabela
O Athletico-PR também teve suas dificuldades com a tecnologia. O Furacão viu dois de seus gols serem invalidados pela arbitragem de vídeo. O primeiro, marcado por Zapelli, foi anulado devido a um toque de mão do atleta antes da finalização. O segundo, que ampliaria a vantagem atleticana, foi invalidado por uma posição de impedimento detectada pela checagem eletrônica.
Com o resultado final de 2 a 1, o Athletico-PR consolidou sua ascensão na tabela, alcançando a quarta posição com 27 pontos. Para o Remo, o cenário é de alerta: com 15 pontos, a equipe amarga a vice-lanterna da competição, aumentando a pressão por resultados positivos nas próximas rodadas. O clube segue buscando estabilidade em um campeonato marcado por decisões de arbitragem que, semana após semana, continuam no centro das atenções.
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