Impactos climáticos na produção regional
A intensificação das secas e o aumento das queimadas na Amazônia têm gerado um alerta crítico para a economia do estado do Pará. Municípios como Santarém e Oriximiná, no oeste paraense, enfrentam riscos severos na produtividade de itens fundamentais para a mesa da população e para a economia local, como a castanha, a mandioca e o açaí. Esses produtos são pilares da chamada bioeconomia da sociobiodiversidade, que sustenta milhares de famílias na região.
Um estudo inédito, coordenado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) em colaboração com instituições de ensino superior, aponta que as condições climáticas extremas estão comprometendo a segurança alimentar e a viabilidade econômica de produtores rurais. A pesquisa, que envolveu a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), detalha como a instabilidade do clima afeta diretamente a cadeia produtiva.
A força econômica da sociobiodiversidade
O levantamento técnico destaca números expressivos que revelam a importância estratégica dessas culturas para o estado. No total, as cadeias produtivas do Pará movimentam cerca de R$ 13,5 bilhões anuais em Valor Bruto da Produção (VBP). Entre os destaques, a mandioca lidera com uma movimentação de R$ 6,5 bilhões, seguida pela pesca e aquicultura, com R$ 2,7 bilhões, o cacau, com R$ 1,7 bilhão, e o açaí, que soma R$ 1,5 bilhão.
Esses dados reforçam que qualquer oscilação na produtividade, causada por fatores ambientais, reflete imediatamente na economia estadual. O desafio agora é utilizar essas informações para construir estratégias que protejam o produtor e garantam a continuidade dessas atividades frente às mudanças climáticas que afetam a região amazônica de forma cada vez mais frequente.
Planejamento e políticas públicas
Para o presidente da Fapespa, o professor Marcel Botelho, a disponibilização desses dados é um passo essencial para o desenvolvimento de políticas públicas mais assertivas. Segundo ele, o trabalho da fundação visa atender a uma demanda crescente da sociedade por informações técnicas que subsidiem a tomada de decisão de agentes econômicos e governamentais.
O objetivo é que o planejamento regional e municipal seja pautado por evidências científicas, permitindo que os entraves identificados na pesquisa sejam superados. A integração entre academia e órgãos de fomento é vista como o caminho para fortalecer a resiliência da produção agrícola local diante dos desafios climáticos atuais. Para mais informações sobre o cenário econômico e social do Pará, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua, seu compromisso diário com a informação de qualidade e a cobertura completa dos temas que movem a nossa região.