A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, nesta terça-feira (28), o segundo caso importado de sarampo no território paulista em 2026. A identificação de um paciente vindo da Guatemala, mesmo com histórico de vacinação, reforça a necessidade de vigilância constante e a importância da imunização em massa para conter a reintrodução da doença no Brasil, que já havia alcançado o status de eliminação.
O caso mais recente envolve um homem de 42 anos, morador da Guatemala, que teve a doença confirmada por exames laboratoriais no final de março, na capital paulista. Embora o estado de saúde do paciente não tenha sido detalhado, a ocorrência acende um sinal de alerta para as autoridades sanitárias, especialmente considerando o fluxo de pessoas entre países e a alta contagiosidade do vírus.
Ameaça silenciosa: o risco de reintrodução do sarampo
Este é o segundo registro de sarampo importado no estado de São Paulo em 2026, indicando que a transmissão não ocorreu localmente, mas foi trazida de outra região. O primeiro caso do ano envolveu um bebê de seis meses, não vacinado, que havia viajado para a Bolívia em janeiro. Em 2023, o estado também registrou dois casos importados da doença, evidenciando uma tendência preocupante de reintrodução do vírus por meio de viajantes.
O Brasil obteve em 2016 a certificação de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), um marco importante para a saúde pública. No entanto, a queda nas taxas de vacinação e a circulação do vírus em outras partes do mundo têm desafiado essa conquista, resultando em surtos e na necessidade de campanhas de imunização de reforço. Casos importados são a principal porta de entrada para que o vírus volte a se espalhar em populações com baixa cobertura vacinal.
Cenário regional e global: a persistência do vírus nas Américas
A situação no Brasil reflete um panorama mais amplo nas Américas. A Opas tem alertado que os países da região continuam a enfrentar a doença. Em 2023, foram confirmados 14.767 registros de sarampo em 13 países das Américas. A situação se agravou em 2024, com mais de 15,3 mil casos já confirmados, sendo que México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá respondem pela maioria dessas ocorrências.
A proximidade geográfica e o intenso intercâmbio de pessoas com esses países tornam o Brasil vulnerável à importação de novos casos. A presença do vírus em nações vizinhas e parceiras comerciais exige uma vigilância epidemiológica robusta e a manutenção de altas coberturas vacinais para criar uma barreira eficaz contra a disseminação interna.
A importância inegável da vacinação e os riscos da doença
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa, causada por um vírus, e que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente. Sua transmissão ocorre de pessoa a pessoa, principalmente por via aérea, através de gotículas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou até mesmo respirar. A capacidade de contágio é tão elevada que uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para até 90% das pessoas próximas que não possuem imunidade.
Os principais sintomas incluem manchas vermelhas no corpo e febre alta, acima de 38,5ºC, frequentemente acompanhada de tosse, conjuntivite, nariz escorrendo ou mal-estar intenso. Sem tratamento adequado e em indivíduos vulneráveis, os casos podem evoluir para complicações graves como diarreia intensa, infecções de ouvido, cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro). Algumas dessas complicações podem ser fatais, especialmente em crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas.
A vacinação é a forma mais eficaz e segura de prevenção contra o sarampo. No Brasil, a imunização faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, com a primeira dose (tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola) recomendada aos 12 meses de idade e a segunda dose (tetra viral – sarampo, caxumba, rubéola e varicela) aos 15 meses. Manter o esquema vacinal completo é crucial para a proteção individual e coletiva.
Vigilância e resposta: o papel da saúde pública
Diante da confirmação de casos importados, a atuação da saúde pública é fundamental. Isso inclui a identificação rápida dos pacientes, o isolamento para evitar novas transmissões, o rastreamento de contatos para verificar possíveis exposições e a intensificação da vacinação nas áreas de risco. A comunicação clara e transparente com a população também é essencial para conscientizar sobre os riscos e a importância da vacinação.
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, em conjunto com o Ministério da Saúde, monitora continuamente a situação epidemiológica para evitar a propagação do vírus e garantir que o Brasil não perca os avanços conquistados na luta contra o sarampo. A colaboração internacional, por meio de organizações como a Opas, também é vital para o controle da doença em escala regional.
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