O estado do Pará acaba de escrever um novo capítulo na história da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável brasileiro. Com a publicação do resultado preliminar no Diário Oficial do Estado (DOE), o Pará consolidou a maior concessão para manejo florestal sustentável já realizada no país. Esta iniciativa, liderada pelo governo estadual por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), abrange uma área impressionante de mais de 800 mil hectares, distribuídos entre as estratégicas Florestas Estaduais (Flotas) do Paru, na região Oeste, e do Iriri, no Sudoeste paraense.
Este marco não apenas reforça o compromisso do Pará com a conservação da Amazônia, mas também estabelece um novo paradigma para a gestão de florestas públicas no Brasil. Ao fortalecer o uso sustentável dos recursos naturais, a concessão se posiciona como uma ferramenta vital para a preservação ambiental, a geração de emprego e o impulsionamento do desenvolvimento regional. Com a conclusão deste certame, o Pará assume a liderança nacional no setor de concessões florestais, elevando o total de áreas sob manejo sustentável para 1,5 milhão de hectares.
Um salto estratégico: a maior concessão florestal sustentável do país
A iniciativa representa um avanço significativo para a política ambiental brasileira, demonstrando que é possível conciliar a proteção da biodiversidade com a exploração econômica responsável. O modelo adotado pelo Ideflor-Bio, com apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê o manejo sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros, além de serviços florestais. Essa abordagem integrada busca aliar a conservação ambiental ao estímulo da economia local e ao fortalecimento das comunidades que vivem no entorno dessas florestas.
O presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, destacou a importância dessa retomada de uma política pública estratégica para a Amazônia. “O Pará reafirma seu compromisso com a floresta em pé e com o desenvolvimento sustentável. Em poucos anos, conseguimos transformar a realidade das concessões florestais no Estado, triplicando a área concedida e consolidando o Pará como referência nacional em manejo responsável”, afirmou Pinto, ressaltando a virada de cenário em relação a 2023, quando o estado possuía cerca de 465 mil hectares concedidos e enfrentava dificuldades para avançar em novos processos licitatórios.
As áreas e as empresas responsáveis pelo manejo
O resultado preliminar da Comissão Especial de Licitação do Ideflor-Bio detalhou as empresas vencedoras para as seis Unidades de Manejo Florestal (UMFs) que compõem esta etapa da concessão. Na Flota do Paru, a empresa Arapua Florestal Ltda foi a vencedora das UMFs VIa e VIIIa, enquanto a MCS Agroflorestal e Construção Civil Ltda ficou com a UMF X, e a TMBR Serviços Florestais Eireli conquistou a UMF XI.
Já na Flota do Iriri, a Cichelero Indústria, Comércio e Exportação de Madeiras Ltda venceu a UMF I, e a Curua Florestal Ltda garantiu a UMF II. Essas áreas concedidas estão situadas em duas das mais vitais florestas públicas do Pará. A Flota do Paru, com uma extensão total de três milhões de hectares, e a Flota do Iriri, que ocupa cerca de 440 mil hectares, terão partes dedicadas ao manejo sustentável. Juntas, essas unidades ampliam em mais de 120% a área total concedida anteriormente no estado, um crescimento que reflete a ambição e a escala do projeto.
Protagonismo feminino e o diálogo com a sociedade amazônica
Um aspecto notável deste processo é o forte protagonismo feminino, desde a concepção técnica até a execução da licitação. A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Cláudia Simoneti, expressou seu orgulho. “É um orgulho enorme ver o Estado do Pará fazer história com a realização da maior licitação em área concedida de uma só vez para manejo florestal sustentável. Mais orgulho ainda é constatar o protagonismo feminino desde a estruturação técnica até a Comissão Especial de Licitação, composta exclusivamente por mulheres”, destacou Simoneti.
Além disso, o governo do Pará garantiu que o processo fosse inclusivo e transparente, promovendo um amplo diálogo com diversas partes interessadas. Reuniões públicas e consultas foram realizadas com comunidades locais, conselheiros de unidades de conservação, povos indígenas e trabalhadores tradicionais, como os castanheiros. Essas interações resultaram em dezenas de contribuições valiosas, muitas das quais foram incorporadas ao modelo final da concessão, assegurando que o projeto reflita as necessidades e os conhecimentos de quem vive e depende da floresta.
Nilson Pinto conclui que o Pará, com esta nova etapa, não apenas fortalece sua posição de liderança nacional na agenda florestal sustentável, mas também demonstra de forma prática que conservação e desenvolvimento podem e devem caminhar juntos. “O manejo florestal legal e planejado surge, assim, como instrumento decisivo para proteger a biodiversidade, combater a exploração irregular e gerar oportunidades econômicas duradouras para a população amazônica”, finaliza o presidente do Ideflor-Bio. Este é um passo fundamental para um futuro onde a riqueza natural da Amazônia seja valorizada e protegida, ao mesmo tempo em que impulsiona o bem-estar de seus habitantes.
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