A estrutura das relações trabalhistas no Brasil caminha para uma transformação significativa. A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1. A medida visa garantir aos trabalhadores dois dias de descanso semanal, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, mantendo a integralidade dos salários.
A aprovação da matéria reflete um debate crescente sobre a qualidade de vida e o bem-estar do trabalhador brasileiro. O texto, que agora segue para análise do Senado Federal, busca equilibrar a produtividade com o direito ao lazer, à saúde e à convivência familiar, temas que ganharam força nas discussões públicas recentes.
Regras de transição e implementação gradual
Caso a proposta seja confirmada pelo Senado, a implementação não será imediata para todos os setores. O texto prevê um período de transição de até 14 meses. Em um primeiro momento, 60 dias após a promulgação da emenda, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada para 42 horas semanais. Após 12 meses dessa primeira etapa, o limite de trabalho será fixado em 40 horas semanais.
Durante o período de transição, entre o segundo e o 14º mês, o empregador poderá distribuir as horas excedentes ao longo da semana. Isso significa que, se as horas forem divididas igualmente, o colaborador cumprirá uma jornada diária de 8 horas e 24 minutos ao longo de cinco dias. Após o prazo final, a jornada padrão será de oito horas diárias, sendo qualquer excedente remunerado como hora extra.
Flexibilidade e acordos coletivos
O relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-PB) introduz mecanismos de flexibilidade. Mediante convenção ou acordo coletivo, categorias específicas poderão adotar regimes compensatórios distintos da escala 5×2. Nesses casos, a compensação do dia trabalhado deve ocorrer dentro do mesmo mês-calendário, assegurando a média de duas folgas semanais.
Além disso, o texto abre margem para que leis complementares futuras estabeleçam medidas de mitigação de impactos para microempreendedores individuais (MEIs) e empresas de pequeno porte. O objetivo é garantir que a transição para o novo modelo não comprometa a viabilidade econômica desses negócios, que possuem estruturas operacionais mais enxutas.
Exceções para terceirizados e alta renda
A proposta estabelece regras diferenciadas para trabalhadores terceirizados que prestam serviços ao poder público. Para evitar a descontinuidade de serviços essenciais, essas empresas terão um prazo de 12 meses após a promulgação para adequar as escalas, com a nova jornada passando a valer conforme o aditamento dos contratos com o Estado.
Outro ponto relevante diz respeito aos trabalhadores considerados “hipersuficientes”. Profissionais com diploma de ensino superior e remuneração mensal igual ou superior a R$ 21.188,87 não terão a redução da jornada aplicada de forma automática. Para este grupo, a alteração dependerá de negociação direta com o empregador ou previsão em acordo coletivo, embora a escala 5×2 deva ser mantida.
O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando de perto a tramitação da PEC no Senado e os desdobramentos dessa mudança histórica para o mercado de trabalho brasileiro. Fique atento às nossas próximas atualizações para entender como essas alterações impactarão o seu cotidiano e os direitos trabalhistas no país.