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Pará institui ‘Dia de Alfredo’ em lei estadual para celebrar legado de Dalcídio Jurandir

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Imagem gerada com IA
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O estado do Pará oficializou, na última semana, a instituição do “Dia de Alfredo” em seu calendário oficial de eventos. A Lei nº 11.390, de 22 de abril de 2026, sancionada pela governadora Hana Ghassan, estabelece que a data será celebrada anualmente em 16 de junho. A iniciativa visa homenagear o renomado escritor paraense Dalcídio Jurandir e valorizar sua inestimável contribuição para a literatura e a cultura amazônica, destacando a figura de Alfredo, seu protagonista e alter ego literário.

A medida reforça o reconhecimento do legado de Dalcídio Jurandir, um dos maiores nomes da literatura regional brasileira. Nascido em Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, o autor é conhecido por sua profunda imersão na realidade amazônica, explorando suas paisagens, personagens e desafios sociais em uma obra vasta e impactante. Em 1972, Dalcídio foi laureado com o prestigiado Prêmio Machado de Assis, consolidando seu lugar no cânone literário nacional.

O reconhecimento de um gigante da literatura amazônica

A oficialização do “Dia de Alfredo” não é o primeiro reconhecimento governamental ao autor. Em abril de 2025, a obra de Dalcídio Jurandir já havia sido declarada patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Pará, por meio da Lei nº 10.967, sancionada pelo então governador Helder Barbalho. Esse status sublinha a importância de sua produção literária como um bem cultural que transcende gerações, merecendo proteção e promoção.

A figura de Alfredo, central na obra de Dalcídio, é um espelho das experiências e reflexões do próprio escritor. Ao instituir o “Dia de Alfredo”, o estado não apenas celebra o autor, mas também a riqueza de sua criação e a forma como ela dialoga com a identidade paraense e amazônica. A governadora Hana Ghassan, em texto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), ressaltou que a Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) estatuiu a lei, que ela prontamente sancionou, reforçando o compromisso com a cultura.

A trajetória do ‘Dia de Alfredo’: da ideia à lei estadual

A ideia de um dia dedicado a Alfredo surgiu do sobrinho do escritor marajoara, José Varella Pereira. Inicialmente, a iniciativa ganhou força no âmbito municipal, sendo instituída como Lei Municipal nº 9.164/2015. A data escolhida, 16 de junho, é uma referência ao dia de falecimento de Dalcídio Jurandir, transformando a memória de sua partida em um momento de celebração de sua vida e obra.

A elevação da data de municipal para estadual demonstra a crescente valorização da literatura e da cultura local, reconhecendo que a influência de Dalcídio Jurandir ultrapassa os limites de um único município, alcançando todo o estado e a região amazônica. Este movimento reflete um esforço conjunto de diversas esferas para garantir que o legado do escritor seja perpetuado e acessível a um público cada vez maior.

Imprensa Oficial e o resgate da obra de Dalcídio

A oficialização do “Dia de Alfredo” é também um fruto do trabalho contínuo da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), por meio de sua Editora Pública Dalcídio Jurandir. A Ioepa tem desempenhado um papel crucial na divulgação e valorização da obra do escritor, assumindo o compromisso de reeditar a obra completa do “Ciclo do Extremo Norte”, que compreende dez livros narrando a saga de Alfredo.

Títulos emblemáticos como “Chove nos Campos de Cachoeira” e “Marajó” já foram reeditados e disponibilizados ao público. A meta da Ioepa é lançar os outros oito livros do “Ciclo do Extremo Norte” até o final do ano, garantindo que a integralidade da produção de Dalcídio Jurandir esteja acessível. O professor de Literatura da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Paulo Nunes, especialista na obra do autor, elogiou o esforço: “Dalcídio é grande, mas sempre sofreu com edições precárias, mal revisadas, mal distribuídas. A Ioepa tem feito um trabalho extraordinário, políticas públicas a favor do livro e da literatura. O Dia de Alfredo, iniciado na Uepa, tomou grandes proporções com este reconhecimento governamental.”

O impacto cultural e o fomento à leitura

A instituição do “Dia de Alfredo” possui um significado cultural e literário imenso para o Pará. Conforme destacou Aroldo Carneiro, presidente da Ioepa, a medida “soma-se às diversas políticas públicas do governo para fomentar a discussão literária, para se ampliar a consciência e elevar a prática da leitura como ferramenta cultural imprescindível para o desenvolvimento da nossa sociedade.” Ele também expressou a gratificação da Imprensa Oficial, que, através da Editora Pública Dalcídio Jurandir, tem presenteado o público paraense com a publicação e reedição de diversas obras, em especial as do autor marajoara.

Este reconhecimento não apenas celebra um dos maiores talentos literários do Pará, mas também serve como um incentivo à leitura e ao estudo da cultura amazônica. Ao valorizar seus próprios autores e suas narrativas, o estado fortalece sua identidade e oferece à população, especialmente às novas gerações, a oportunidade de se conectar com suas raízes e com a riqueza de sua história literária. A iniciativa é um passo importante para que a obra de Dalcídio Jurandir continue a inspirar e a educar, garantindo que sua voz ressoe por muitos anos.

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