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CPT revela Pará como vice-líder nacional em conflitos rurais de 2025

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Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

O Pará consolidou sua posição como um dos estados mais críticos em relação aos conflitos rurais no Brasil, ocupando o segundo lugar no ranking nacional em 2025. Com um total alarmante de 179 ocorrências, o estado ficou atrás apenas do Maranhão, que registrou 209 casos. Os dados, apresentados no Caderno de Conflitos no Campo 2025 da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Pará, revelam um cenário de crescente violência e tensão nas áreas rurais, com impactos profundos sobre povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e trabalhadores sem terra.

A divulgação do relatório, ocorrida na última quinta-feira (7), serve como um alerta para a persistência e intensificação das disputas por terra e água, além do aumento preocupante de assassinatos e agressões. O Pará mantém uma presença constante entre os quatro estados com os maiores índices de violência nos últimos anos, ao lado de Rondônia, Maranhão e Bahia, evidenciando uma crise agrária que demanda atenção urgente das autoridades e da sociedade.

A Escalada da Violência e os Números Preocupantes

O cenário de violência no campo paraense é particularmente grave quando se analisam os casos de assassinatos. Em 2025, foram registrados 26 homicídios em todo o Brasil, um aumento drástico em comparação com os 13 casos de 2024. O Pará, especificamente, liderou o ranking nacional de assassinatos ao lado de Rondônia, com 7 vítimas fatais, incluindo trabalhadores sem terra, um pescador e um servidor público. Além disso, 105 pessoas sofreram algum tipo de agressão física, e 38 ameaças de morte foram contabilizadas, revelando a brutalidade dos confrontos.

Francisco Alan, coordenador regional da Comissão Pastoral da Terra Regional Pará, expressou profunda preocupação com a situação. “Em 2025, houve 26 assassinatos no campo, um número alarmante comparado a 2024, que teve 13. Essa violência contra a vida dos povos do campo, das águas e florestas é preocupante quando as reais raízes geradoras não são atacadas”, destacou. A fala de Alan ressalta a necessidade de abordar as causas estruturais desses conflitos, que afetam diretamente a vida e a segurança das comunidades.

Disputas por Terra e Água: Os Principais Focos de Tensão

Os conflitos por terra continuam sendo o principal motor da violência no Pará, com 142 casos registrados relacionados à disputa pela ocupação e posse, o que coloca o estado na segunda posição nacional nesse quesito. Esses embates impactaram diretamente 25.854 famílias, que se veem em meio a um ciclo de incertezas e ameaças. Municípios como Santarém, São Félix do Xingu, Viseu, Barcarena e Altamira concentram os maiores números de ocorrências, refletindo a pressão sobre vastas áreas do território paraense.

Os principais agentes causadores desses conflitos são fazendeiros, responsáveis por 59 registros, seguidos pelos governos federal (21) e estadual (20), além de madeireiros, grileiros, empresários e mineradoras. Entre os grupos mais atingidos, destacam-se as comunidades quilombolas (36 conflitos), povos indígenas (25), assentados, trabalhadores sem terra, pequenos proprietários, ribeirinhos e posseiros. Esses dados sublinham a vulnerabilidade das populações tradicionais e dos trabalhadores rurais diante de interesses econômicos e políticos.

Além da terra, a água também é um ponto central de disputa. O Pará lidera, pelo segundo ano consecutivo, os conflitos por água no país, com 21 registros. A maioria desses casos envolve questões de uso e preservação, incluindo destruição e poluição de recursos hídricos, contaminação por minério e agrotóxicos, e impedimento de acesso à água. Povos indígenas e ribeirinhos estão entre os mais afetados, e o garimpo ilegal surge como o principal agente gerador desses conflitos, evidenciando a exploração predatória dos recursos naturais.

Trabalho Análogo à Escravidão e a Voz da Resistência

O relatório da CPT também lança luz sobre a persistência do trabalho análogo à escravidão no campo paraense. Foram resgatados 44 trabalhadores em condições degradantes, distribuídos em 13 ocorrências. A maior parte desses casos está ligada à pecuária, mas atividades como carvoaria, extração de madeira e lavoura também contribuem para o problema. Essa realidade expõe a fragilidade das relações trabalhistas e a exploração de mão de obra em diversas cadeias produtivas.

Apesar da violência e das adversidades, a resistência das comunidades rurais se manifesta em mobilizações e lutas por direitos. O estado registrou 66 manifestações, com a participação de cerca de 85 mil pessoas. Essas mobilizações foram intensificadas antes, durante e após a realização da COP 30 em Belém, demonstrando a capacidade de articulação e a busca por visibilidade para suas pautas. Francisco Alan reitera que “os dados de 2025 revelam que a região Norte concentra as ocorrências de violência por terra que consequentemente acabam tirando vidas. São grupos sociais e/ou lideranças indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que cotidianamente são ameaçados pelo simples fato de resistirem e lutarem por seus direitos”.

O lançamento desses dados pela CPT busca não apenas denunciar as violações de direitos, mas também aprofundar o debate sobre a complexa realidade agrária no Pará e ampliar a visibilidade das lutas dos povos e comunidades do campo. Acompanhe o Portal Pai D’Égua para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e o compromisso com a informação de qualidade que impacta a sua vida e a sua região.

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