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Cinema Belém: Fundação Cultural do Pará inaugura Cine Alexandrino Moreira e reabre biblioteca

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Imagem gerada com IA
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A cena cultural de Belém ganhou um novo fôlego nesta segunda-feira, 27 de abril, com a entrega do Cine Alexandrino Moreira e a reabertura da Biblioteca Pública Vicente Salles. Ambos os espaços, localizados na histórica Casa das Artes, representam um marco significativo para a Fundação Cultural do Pará (FCP) e para a democratização do acesso à arte e ao conhecimento na capital paraense. A iniciativa, que transforma um antigo auditório em uma moderna sala de cinema e revitaliza um importante centro de pesquisa em artes, reforça o compromisso do estado com o fomento à cultura e o desenvolvimento do setor audiovisual.

A inauguração do cinema e a reabertura da biblioteca são resultados de um esforço conjunto que envolveu recursos da Lei Paulo Gustavo, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o Governo Federal. Este investimento estratégico visa não apenas modernizar a infraestrutura cultural, mas também criar ambientes propícios para a formação cidadã, a experimentação artística e a valorização da produção local e regional, consolidando o Circuito FCP de Cinema e ampliando as oportunidades para artistas e pesquisadores.

Um Novo Espaço para o Audiovisual Paraense

O Cine Alexandrino Moreira surge como um polo de inovação e acessibilidade no coração de Belém. O antigo auditório da Casa das Artes foi completamente transformado em uma sala de cinema equipada com tecnologia de ponta, incluindo sistema de exibição em DCP com resolução 2k e som Dolby Surround. A obra, iniciada em 2023, demandou um complexo reforço estrutural no piso da edificação histórica, uma vez que o espaço, antes plano, foi adaptado para um formato rampado, suportando o peso das novas poltronas e equipamentos.

Melissa Barbery, coordenadora de linguagem visual e audiovisual da FCP, destacou que o projeto é fruto de uma colaboração estratégica. “Administramos três editais da Lei Paulo Gustavo para viabilizar este cinema. A obra levou tempo devido à infraestrutura do prédio, que é uma casa antiga. Como o antigo auditório tinha piso plano e o cinema atual é rampado, foi necessário realizar um reforço estrutural para suportar o novo peso das poltronas e da nova configuração”, explicou. Além do investimento em infraestrutura, a equipe técnica passou por treinamento especializado para operar os novos projetores e sistemas de som, garantindo a excelência nas exibições.

Fomento à Cultura e Democratização do Acesso

A nova sala de cinema não se limita à exibição de filmes; ela possui um papel pedagógico fundamental para a capital paraense. Melissa Barbery ressaltou que “o cinema permite a formação do cidadão de forma global, desenvolvendo o pensamento e o sentir-se no mundo. Muitas pessoas que não têm condições de viajar, viajam através da tela”. A coordenadora enfatizou o desejo de que o espaço seja um centro de experimentação artística, acolhendo cinema experimental, videoperformance e documentário expandido, linguagens que dialogam com as artes visuais e que encontrarão no Cine Alexandrino Moreira um ambiente pioneiro em Belém.

O presidente da FCP, Ygor Kahwage, contextualizou a iniciativa dentro de uma estratégia maior de retomada do circuito audiovisual público no estado. “É uma alegria imensa realizar a entrega do Cine Alexandrino Moreira. Em 2023, quando assumimos a gestão, fizemos de imediato uma reforma no Cine Líbero Luxardo e, seguindo este cronograma de recomposição do nosso circuito, inauguramos agora esta nova sala”, afirmou. Kahwage destacou que o cinema oferecerá “ingressos sociais” e parcerias para trazer festivais internacionais gratuitos, democratizando o acesso ao cinema fora do eixo comercial.

A política de fomento ao audiovisual da FCP se estenderá a outros espaços, como o futuro cine auditório Pedro Veriano, na Casa da Linguagem. O objetivo é fortalecer o Circuito FCP de Cinema, garantindo que o público de Belém, uma cidade vibrante em arte, tenha acesso a espaços modernos e acessíveis para usufruir da produção audiovisual.

A denominação do cinema homenageia Alexandrino Moreira, um influente agente cultural, crítico e empresário. Seu filho, o pesquisador e crítico de cinema Marco Antônio Moreira, destacou a importância de salas alternativas para o cinema “inconformista”, que busca fazer e pensar diferente, em contraste com os filmes mais comerciais. A atriz Rosy Lueji, protagonista do curta-metragem “Cabana” exibido na estreia, reforçou a relevância do espaço para a classe artística local, especialmente para produções paraenses que necessitam de maior visibilidade.

Biblioteca Vicente Salles: Acervo Especializado em Artes

Além do cinema, a entrega cultural incluiu a reabertura da Biblioteca Pública Vicente Salles, que retorna ao atendimento com uma estrutura revitalizada e um acervo especializado em artes. A unidade reúne mais de 3 mil itens, organizados a partir de coleções do antigo Instituto de Artes do Pará e de registros do historiador e folclorista Vicente Salles, uma referência nos estudos sobre a presença negra e a música na Amazônia.

De acordo com Socorro Baia, coordenadora da Biblioteca Pública Arthur Vianna, o espaço assegura a artistas e pesquisadores o acesso a um centro vital de preservação de linguagens como o cinema, o teatro e manifestações populares, a exemplo do carimbó e da marujada. Localizada na Casa das Artes, a biblioteca disponibiliza serviços de consulta local e empréstimos de livros, catálogos e periódicos, fomentando a pesquisa e o aprofundamento cultural.

O Papel da Fundação Cultural do Pará na Amazônia

A entrega desses equipamentos culturais reafirma o papel central da Fundação Cultural do Pará (FCP) como o principal órgão do estado responsável pela execução das políticas públicas de cultura. Ao investir na modernização tecnológica de salas de exibição e na manutenção de bibliotecas de pesquisa, a FCP não apenas assegura a infraestrutura necessária para o fomento da arte cinematográfica, mas também contribui para o aperfeiçoamento da produção cultural e a valorização da identidade amazônica. Essas ações são cruciais para garantir que a cultura seja um pilar de desenvolvimento e inclusão social na região.

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