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Cães abandonados em parquinho na orla de Santarém acendem alerta para saúde pública

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que é muito”, completou. Situação preocupante Além do impacto visual, a presença
Reprodução G1

Uma cena que misturou inusitado e preocupante chamou a atenção de moradores e frequentadores da orla de Santarém, no oeste do Pará, nesta semana. Diversos cães abandonados foram flagrados circulando e descansando livremente na área de um parquinho infantil, um espaço tradicionalmente destinado ao lazer das crianças. O registro, feito em 1º de maio de 2026, expõe uma realidade complexa que envolve abandono animal, saúde pública e a atuação de órgãos e organizações na região.

O síndico Márcio Avinte, que costuma levar os filhos ao local, foi quem documentou a situação e expressou sua surpresa com a quantidade de animais. Segundo ele, não era comum ver tantos cães reunidos naquele ponto específico. A percepção de Avinte é que a presença massiva dos animais está diretamente ligada ao abandono recorrente na área central da cidade. “Eu acredito que o pessoal está indo despejar eles lá, sabe? Eu acredito que é cachorro abandonado, não é nem cachorro que se cria lá, não. […] para serem adultos, talvez o dono morre, viaja, não quer mais cuidar. Aí vai para lá e deixa. Eu acredito que é isso, porque é muito”, relatou, apontando para um problema crônico de descarte de animais.

Cães abandonados: riscos à saúde e bem-estar animal

A presença de cães abandonados em espaços públicos, especialmente em áreas frequentadas por crianças, vai além do impacto visual. Muitos dos animais observados na orla de Santarém apresentavam sinais de desnutrição e abandono, o que levanta sérias preocupações tanto para a população quanto para a própria condição dos bichos.

A médica veterinária Antonieta Acioli Picanço, em entrevista ao g1, destacou a urgência de atenção a esse tipo de aglomeração. Ela explicou que a situação aponta para dois motivos principais de alerta: o risco sanitário e a questão do bem-estar animal. “Há grande possibilidade de acidentes, mordeduras, transmissão de zoonoses e até mesmo conflitos entre esses animais. Muitos estão sem vacinação, sem controle de parasitas, expostos à fome, sede e doenças”, alertou a especialista, sublinhando a vulnerabilidade desses cães e o potencial perigo para a saúde humana.

A solução, conforme Picanço, exige uma ação coordenada e eficaz do poder público. Ela enfatiza que a avaliação deve ser feita por órgãos competentes, como o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em conjunto com a Secretaria de Saúde. O objetivo é identificar se são realmente animais abandonados e, a partir daí, adotar medidas como castração, monitoramento e campanhas de conscientização para a população, visando um controle populacional e a prevenção de novas ocorrências de abandono.

O desafio das ONGs e o panorama nacional do abandono

O problema do abandono animal não é exclusivo de Santarém, mas reflete uma realidade nacional. Dados do Instituto Pet Brasil, divulgados em março deste ano, revelam que cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade no país. Desse total, pouco mais de 201 mil estão sob os cuidados de organizações não governamentais (ONGs).

Em Santarém, as ONGs que atuam no resgate e cuidado de animais enfrentam dificuldades crescentes. Kiane Marialva de Castro, voluntária e tesoureira da ONG Lar do Amor, descreveu a realidade diária de sua organização. “A função da ONG é resgatar, tratar, castrar e disponibilizar para adoção. Mas, infelizmente, a situação está bem complicada, porque nós não temos apoio nenhum. A gente depende totalmente de doações”, afirmou Kiane, evidenciando a sobrecarga e a falta de recursos que afetam essas iniciativas.

Ela também destacou um agravamento da situação, especialmente com o aumento do abandono de gatos na cidade. “A quantidade de gatos abandonados todos os dias é muito alta, muito mais do que de cachorro. No parque mesmo aumentou absurdamente. A gente até brinca que Santarém vai ser dominada pelos gatos”, comentou, com um tom de preocupação. Kiane ressaltou ainda que o abandono impacta profundamente o comportamento dos animais, tornando-os assustados, desconfiados e com sinais de trauma, o que dificulta sua socialização e a chance de futuras adoções. Acompanhe mais notícias sobre a região de Santarém no g1.

Abandono é crime: como denunciar e a resposta do poder público

É fundamental que a população esteja ciente de que o abandono de animais é uma prática criminosa no Brasil. A Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê pena de reclusão de até cinco anos, além de multa, para quem praticar maus-tratos, o que inclui o abandono. Essa legislação busca proteger os animais e coibir ações irresponsáveis que resultam em sofrimento e riscos para a coletividade.

Para quem testemunhar casos de abandono ou maus-tratos em Santarém, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) orienta que as denúncias sejam feitas através do Disque Denúncia, pelo número (93) 99209-4670. É crucial fornecer o máximo de informações possíveis, como local exato, data, horários, imagens (fotos ou vídeos) e, se possível, a identificação dos responsáveis. Esses detalhes são essenciais para que as autoridades possam investigar e tomar as medidas cabíveis.

A reportagem buscou um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) sobre a situação dos cães abandonados na orla e as ações planejadas para lidar com os riscos sanitários e de bem-estar animal. No entanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno por parte da secretaria. A expectativa é que o poder público possa, em breve, apresentar um plano de ação para mitigar os impactos desse problema crescente na cidade.

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