Justiça decide levar policial a julgamento popular
O cabo do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam-PM), Wladson Luan Monteiro Borges, enfrentará o Tribunal do Júri pela morte da estudante de Nutrição Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos. A decisão de pronúncia, proferida pela Justiça paraense, confirma que o réu responderá pelo crime de feminicídio. O caso, que chocou a capital paraense em março de 2025, expôs um histórico de violência doméstica e controle emocional que culminou no disparo fatal contra a vítima.
A pronúncia é um marco processual que ocorre quando o magistrado identifica materialidade e indícios suficientes de autoria em crimes dolosos contra a vida. Com essa determinação, o processo avança para a fase em que o conselho de sentença decidirá o destino do policial. Wladson, que confessou ter efetuado o disparo, sustenta a tese de que o tiro teria sido acidental, uma versão que foi contestada de forma contundente pelos laudos periciais produzidos durante a instrução do processo.
Perícia técnica refuta versão de disparo acidental
A investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), em parceria com a Polícia Civil, utilizou uma série de evidências científicas para reconstruir os fatos ocorridos dentro do veículo do acusado. Entre as provas fundamentais, destacam-se o exame balístico, a perícia genética na arma de fogo e a reprodução simulada dos fatos. Os peritos concluíram que a dinâmica narrada pelo cabo era incompatível com os vestígios encontrados no local.
Os laudos técnicos foram enfáticos ao descartar qualquer falha mecânica no armamento. Além disso, a perícia genética identificou material biológico masculino em partes cruciais da arma, reforçando a vinculação direta do réu com o disparo. A reprodução simulada, por sua vez, demonstrou que a trajetória do projétil e os danos observados no interior do automóvel não condiziam com a alegação de um acidente, consolidando a tese de autoria dolosa apresentada pela acusação.
Histórico de ameaças e controle emocional
O relacionamento entre o policial e a estudante, natural de Colares, era marcado por um ciclo de isolamento social e comportamento controlador, conforme apontado pelas investigações. Relatos de testemunhas e a análise de aparelhos celulares revelaram que, nos dias que antecederam o crime, a vítima foi alvo de diversas mensagens agressivas e ameaçadoras enviadas pelo acusado.
Registros recuperados de aplicativos de mensagens mostram que, entre os dias 11 e 12 de março de 2025, Wladson enviou frases como “Ta vai ver só” e “Nossos caminhos vão se cruzar”. Essas evidências digitais foram cruciais para que o Ministério Público caracterizasse o crime como feminicídio, evidenciando o desrespeito à dignidade da mulher e a tentativa de controle sobre a vida de Bruna, que buscava encerrar a relação extraconjugal.
Acompanhamento do caso e próximos passos
O processo é acompanhado de perto pela 1ª Promotoria de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém. A promotora Darlene Rodrigues Moreira tem atuado para garantir que a complexidade do caso seja devidamente exposta no julgamento. O réu, que foi preso em flagrante após levar a vítima ao Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, permanece sob custódia preventiva, medida mantida pela Justiça para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
A defesa do cabo Wladson Luan Monteiro Borges ainda não se manifestou sobre a decisão de pronúncia. O Portal Pai D’Égua continua acompanhando os desdobramentos deste caso, mantendo o compromisso com a informação precisa, ética e o combate à violência de gênero. Para se manter atualizado sobre esta e outras notícias que impactam o Pará e o Brasil, continue acompanhando nossas atualizações diárias e reportagens especiais.
Para mais informações sobre o andamento de processos judiciais no estado, consulte o portal oficial do Ministério Público do Pará.