A Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPMA) do Congresso Nacional lançou na terça-feira (15) o “Mapa do Caminho para a Agenda Legislativa Socioambiental”. Este documento é uma ferramenta que visa orientar a atuação de deputados, senadores, assessores e equipes técnicas nos próximos oito anos, abordando iniciativas legislativas, articulações políticas e mobilização social.
ambientalismo: cenário e impactos
A crise climática, que se tornou uma das principais preocupações globais, está no cerne das discussões propostas pelo documento. O texto sugere o fortalecimento de políticas ambientais, focando em temas como transição energética, proteção de biomas estratégicos, Justiça climática, orçamento e governança.
“Mais do que um diagnóstico, este mapa oferece ações concretas para popularizar a pauta climática, combater a desinformação e garantir que o desenvolvimento do Brasil seja guiado pela preservação da biodiversidade e pela inclusão de jovens, indígenas e periferias”, afirma a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), coordenadora da FPMA no Senado.
O documento, elaborado em parceria com a ONG Legisla Brasil, sugere a aprovação de propostas que já estão em tramitação, como a PEC da Água (PEC 06/2021) e o projeto que estabelece a Política Nacional de Proteção de Rios (PL 2842/2024). Além disso, defende o fortalecimento de mecanismos de financiamento, como o Fundo Clima e o Fundo Nacional de Meio Ambiente.
“O mapa é mais que um documento técnico; é um direcionamento para o Parlamento que será eleito nas urnas em outubro. Precisamos fortalecer a pauta socioambiental dentro do Congresso Nacional, temos muito trabalho a ser feito e essa agenda não pode ser tratada como periférica. É uma pauta central no debate dos rumos do Brasil nos próximos anos”, destaca o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da FPMA na Câmara dos Deputados.
Estratégias para a Mobilização Socioambiental
O documento enfatiza a necessidade de construir narrativas que superem a dicotomia entre crescimento econômico e proteção ambiental. Ele orienta a tradução do debate acadêmico para questões cotidianas da população, abordando temas como insegurança alimentar, saúde e moradia. A elaboração das diretrizes contou com o apoio de organizações da sociedade civil, como a NOSSAS e a Engajamundo.
“A mobilização real ocorre quando os territórios detêm ferramentas para criar suas próprias narrativas, rompendo estereótipos e discursos hegemônicos por meio do combate à desinformação. Nesse processo, a comunicação deixa de ser apenas difusão e passa a ser infraestrutura de participação”, diz um trecho do documento.
As estratégias propostas incluem a integração entre mobilização digital e articulação institucional, com o objetivo de gerar pressão sobre os parlamentares e influenciar decisões. “Quando milhares ou milhões de pessoas se posicionam de forma coordenada, ignorar essa pressão passa a ter um preço”, ressalta o texto, que menciona campanhas recentes, como pelo fim da escala 6×1 e “Criança não é mãe”, como exemplos de mobilizações que conseguiram impactar o processo legislativo.
Além de direcionar ações no Legislativo, o Mapa do Caminho se apresenta como uma ferramenta estratégica para a sociedade civil e o setor acadêmico, promovendo uma maior interação entre esses grupos e o Parlamento.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br