A cidade de Belém testemunhou, recentemente, um marco significativo em suas iniciativas de sustentabilidade. A icônica Basílica de Nossa Senhora de Nazaré sediou a 25ª edição do Drive-Thru Ambiental, uma ação do projeto M’educo que se consolidou como um pilar fundamental na gestão de resíduos e na educação ambiental da capital paraense. O evento, que ao longo dos anos demonstrou sua resiliência e importância, reuniu a comunidade em torno da meta de promover o descarte correto e o reaproveitamento de materiais, transformando o que seria lixo em recursos valiosos para a economia circular e para a sociedade.
A Gênese e a Adaptação de uma Ideia Sustentável
Idealizado pela professora Márcia Vieira, o M’educo vai muito além de uma simples coleta de materiais. Ele se define como um “projeto socioambiental” com um propósito claro: interceptar resíduos diversos — de recicláveis como papel, plástico e vidro, a eletroeletrônicos e o popular óleo de cozinha usado — antes que eles cheguem aos aterros sanitários, garantindo-lhes um destino adequado. A dinâmica é simples e eficaz: voluntários entregam seus materiais diretamente no estacionamento da basílica, um ponto de fácil acesso para muitos moradores, facilitando a participação e incentivando a prática da reciclagem na rotina da cidade.
A trajetória do Drive-Thru Ambiental é um exemplo de como ideias acadêmicas podem se transformar em ações de impacto real e duradouro. Márcia Vieira relata que a iniciativa teve sua origem em sua dissertação de mestrado, mas foi o período de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 que impulsionou a sua metamorfose e consolidação no formato atual. A necessidade de soluções inovadoras para lidar com desafios sanitários e ambientais daquele momento crítico fez com que o projeto ganhasse força e relevância, adaptando-se e crescendo para atender às novas demandas da população, demonstrando uma notável capacidade de resiliência e inovação.
Para Além do Descarte: Impacto Social e Economia Circular
O cerne da proposta do M’educo reside na valorização intrínseca do resíduo. “As pessoas entregando resíduos, a gente retira do aterro sanitário. Então ele deixa de ser rejeito e passa a ser resíduo, que pode ser reciclado, gerando renda para os catadores e também para as comunidades”, explica a professora Vieira. Essa visão não apenas alivia a sobrecarga dos aterros, um problema crônico em muitas cidades brasileiras, incluindo Belém, mas também impulsiona a economia solidária. Ao dar um novo valor a esses materiais, o projeto cria um ciclo virtuoso que beneficia diretamente as famílias que dependem da coleta e comercialização de recicláveis, fomentando a inclusão social e o desenvolvimento local.
Um dos aspectos mais notáveis e de grande impacto social do projeto é a transformação do óleo de cozinha usado. Márcia Vieira destaca a criação de um mecanismo que converte esse material poluente em sabão, uma iniciativa que nasceu, sobretudo, para proteger as comunidades mais vulneráveis durante a pandemia. “A gente pega o óleo usado e transforma em sabão. Isso também foi criado no período da pandemia, que era uma forma de proteger as comunidades mais carentes que não tinham como se proteger do vírus. Então a gente ensinou a fazer sabão para que elas pudessem usar e isso continua sendo feito por elas”, detalha. Essa estratégia inovadora não só oferece uma solução prática para um resíduo de difícil descarte, como também promove autonomia, saúde pública e geração de subsistência em regiões de maior carência.
Engajamento Comunitário e o Desafio da Conscientização em Belém
O sucesso e a longevidade do Drive-Thru Ambiental são amplificados pela participação ativa e consciente da comunidade. Suzana Gaia, técnica em Segurança do Trabalho, é um exemplo do engajamento que o projeto inspira. Ela conheceu a iniciativa durante sua formação acadêmica e desde então se tornou uma participante assídua, tendo estado presente em cerca de sete edições. “Eu comecei no projeto por conta do curso, o mesmo que na época eu fazia de Segurança do Trabalho, que ia ter uma disciplina do meio ambiente. Daí eu vim conhecer o projeto, a primeira vez, e gostei. Me apaixonei, porque através do projeto a gente pode ensinar a nossa família, nossos vizinhos, fazer toda a diferença no meio ambiente”, afirmou, evidenciando o poder multiplicador da conscientização.
A visão de Suzana Gaia sobre a conscientização ambiental ressoa com a realidade de muitas cidades brasileiras, incluindo Belém, que, apesar de sua exuberante beleza natural, enfrenta desafios consideráveis na gestão de resíduos e na educação da população para o descarte correto. “Todo mundo fazendo um pouquinho da sua parte, vai transformar um meio ambiente bem mais saudável, mais em frente. Poder ajudar mesmo, de alguma forma, no nosso meio ambiente. Porque a cidade de Belém é muito bonita, porém, é uma cidade meio que suja por conta da educação mesmo dos próprios moradores. Mas se todo mundo tivesse a conscientização, a gente vai poder mudar esse quadro”, pontua ela. O Drive-Thru Ambiental atua como um catalisador dessa mudança, mostrando que pequenas ações individuais, quando somadas, geram um impacto coletivo significativo. A marca das 25 edições não é apenas um número, mas um testemunho da persistência e da visão transformadora do projeto M’educo, reforçando a ideia de que a responsabilidade ambiental é coletiva e contínua.
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Fonte: https://www.oliberal.com