Dois dias após a operação policial com o maior número de mortes já registrada no Brasil, a população do Rio de Janeiro busca retomar suas atividades diárias. O trânsito nas ruas flui normalmente e o transporte público opera sem interrupções.
A Secretaria Municipal de Educação informou que as escolas municipais funcionam regularmente nesta quinta-feira, com exceção daquelas localizadas nos complexos do Alemão e da Penha, onde as aulas presenciais permanecem suspensas. As unidades escolares seguem o protocolo “Acesso mais Seguro”, desenvolvido em parceria com a Cruz Vermelha Internacional, para garantir a segurança de alunos e funcionários. As universidades que haviam interrompido as aulas presenciais retornaram às atividades, com exceção da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que optou por manter as aulas remotas.
O Sindicato dos Lojistas do Comércio comunicou que não há orientação para o fechamento de lojas. A decisão de manter ou não o comércio aberto fica a critério de cada lojista, considerando o contexto específico de sua localização.
Carlos Cavalcanti, estagiário e morador do Complexo do Alemão, descreve o sentimento de apreensão em meio à tentativa de retorno à normalidade. “O sentimento de voltar à realidade ainda é com muito medo, porque não sabemos quando uma operação como essa vai estourar de novo. Todo mundo aqui está com medo e é perceptível. Isso vai demorar, para as pessoas voltarem à normalidade, se sentirem seguras para parar num bar por aqui e beber com os amigos, sair para fazer um lanche na rua ou algo do tipo”, relata.
Ana Carolina da Costa, estudante e moradora de Ramos, bairro próximo ao Complexo do Alemão, compartilha o mesmo sentimento. “Então a gente se desloca até o trabalho com aquele medo, né? Com aquela sensação de meu Deus, eu deveria estar em casa”, afirma.
O medo se intensificou na população após a morte de mais de cem pessoas durante a Operação Contenção, realizada contra integrantes do Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br