Em um cenário onde a preservação ambiental se torna cada vez mais urgente, a Amazônia paraense se destaca não apenas pelas discussões técnicas e políticas, mas também por iniciativas que semeiam a consciência ecológica nas futuras gerações. Em Santarém, durante a 26ª Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) sobre o REDD+ Jurisdicional, um espaço paralelo chamou a atenção ao transformar crianças em pequenas guardiãs da floresta. Enquanto agricultores e agricultoras familiares debatiam o futuro dos recursos naturais, seus filhos e filhas traduziam o aprendizado em arte e mensagens de esperança.
santarém: cenário e impactos
A ação, que ocorreu em 23 de maio de 2026, evidenciou como a educação ambiental pode ser integrada a grandes eventos, promovendo não só o cuidado com a natureza, mas também a valorização da história e do futuro das comunidades amazônicas. Os materiais produzidos pelos pequenos, repletos de sensibilidade e pureza, se tornaram um testemunho vibrante do compromisso intergeracional com a sustentabilidade.
Educação ambiental: sementes para um futuro sustentável na Amazônia
A iniciativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), responsável por conduzir o processo do REDD+, foi estratégica. A proposta era clara: incluir os filhos das famílias participantes nos aprendizados sobre conservação ambiental e mudanças climáticas. Sandro Alves, chefe de gabinete da secretaria adjunta de Gestão de Águas e Clima da Semas, explicou a motivação por trás da ideia.
“Eu conversei com a pedagoga e expliquei que, enquanto os adultos estariam participando da consulta sobre conservação do meio ambiente e melhoria do clima, seria importante trabalhar esses temas também com as crianças. A ideia era que elas pudessem apresentar, ao final, aquilo que aprenderam”, detalhou Alves, ressaltando a importância de uma abordagem pedagógica inclusiva.
Ao longo de três dias de programação intensa, as crianças mergulharam em atividades educativas que abordavam a conscientização ambiental de forma lúdica e interativa. Desenhos coloridos, frases sobre preservação e cartazes feitos à mão foram as ferramentas que os pequenos utilizaram para expressar sua compreensão sobre a urgência de cuidar da natureza. A criatividade e a espontaneidade dos trabalhos infantis revelaram uma profunda conexão com o ecossistema amazônico.
A voz das crianças: um rio saudável e um rio poluído
Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação que comparou um rio saudável a um rio poluído. A clareza com que as crianças representaram os impactos da degradação ambiental surpreendeu os adultos presentes. “Eu fiquei surpreso. Eles conseguiram relacionar a mudança do clima com a qualidade da água. Foi bonito ver a compreensão das crianças sobre conservação da floresta”, destacou Sandro Alves, sublinhando a capacidade dos pequenos de absorver conceitos complexos.
Essa abordagem prática e visual não apenas facilitou o aprendizado, mas também permitiu que as crianças internalizassem a importância da água limpa e da floresta em pé para a manutenção da vida. A capacidade de relacionar a mudança climática com a qualidade da água demonstra uma percepção aguçada e uma preocupação genuína com o futuro do planeta.
Os materiais produzidos pelas crianças não terão apenas um caráter educativo e simbólico. Eles serão integrados aos registros oficiais da consulta do Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+) como parte dos documentos construídos durante o processo participativo. Essa inclusão confere um reconhecimento formal à contribuição dos pequenos, validando suas vozes e perspectivas no debate sobre a conservação ambiental.
REDD+: um futuro para a floresta e para as famílias
O REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) é um mecanismo internacional que busca incentivar países em desenvolvimento a protegerem suas florestas, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e promovendo o desenvolvimento sustentável. As consultas livres, prévias e informadas são etapas cruciais para garantir que as políticas e projetos de REDD+ respeitem os direitos e as necessidades das comunidades locais e tradicionais, especialmente na Amazônia, onde a floresta é intrinsecamente ligada à vida de milhões de pessoas.
A participação de agricultores familiares, como Elivan Dias, do município de Belterra, é fundamental para o sucesso desses programas. Elivan, que participou da consulta acompanhado de sua família, expressou a satisfação em ver seu filho envolvido desde cedo nesse processo. “É maravilhoso poder estar em um evento desse com a minha família. As crianças estão sendo bem cuidadas, mas acima de tudo aprendendo sobre o meio ambiente e sobre valorizar os produtos naturais da terra. Tudo isso vai ficar para eles também”, afirmou.
Para Elivan, a experiência de ver o filho aprendendo sobre preservação ambiental durante a consulta foi um ponto alto. “Foi a cereja do bolo. Tudo que está sendo tratado aqui é sobre o nosso futuro, e o nosso futuro também são os nossos filhos. Tenho certeza de que eles vão levar isso para o resto da vida deles”, disse o agricultor, reforçando a visão de que a educação ambiental é um legado inestimável para as próximas gerações.
A iniciativa em Santarém demonstra que a construção de um futuro mais verde e justo passa necessariamente pela inclusão e pelo engajamento de todos, desde os mais experientes até os mais jovens. Para saber mais sobre as ações de sustentabilidade e o futuro da Amazônia, continue acompanhando as reportagens e análises aprofundadas do Portal Pai D’Égua, seu parceiro em informação relevante e contextualizada. Você pode encontrar mais informações sobre o REDD+ no site do Instituto Centro de Vida (ICV).