O Fórum Criminal de Belém é palco, nesta quinta-feira (7), de um momento decisivo para a justiça paraense e para a comunidade do distrito de Icoaraci. O Tribunal do Júri realiza o julgamento de Charles Pacheco, o quarto e último réu acusado de participação no assassinato do empresário Ednilson do Rego Pacheco. O crime, ocorrido em abril de 2021, gerou grande comoção social devido à brutalidade da execução e ao perfil da vítima, um conhecido comerciante local.
O último capítulo judicial do caso Ednilson Pacheco
O julgamento encerra um ciclo processual que se arrasta há mais de três anos. Charles Pacheco, que atua como vigilante, senta-se no banco dos réus sob a acusação sustentada pelo promotor de justiça Nadilson Portilho Gomes. Durante a sessão, o Ministério Público busca demonstrar a participação ativa do réu na logística que culminou na morte do empresário. Por outro lado, a defesa de Charles sustenta a tese de que ele não teve envolvimento direto no planejamento ou na execução do homicídio.
Em seu interrogatório, o réu alegou que apenas pegou uma carona no veículo utilizado pelos criminosos, um HB20 preto pertencente a um policial militar já condenado. Essa versão tenta desvincular o vigilante da intenção homicida do grupo. No entanto, o conselho de sentença avalia as provas colhidas durante a instrução criminal, incluindo depoimentos de testemunhas e evidências materiais encontradas no momento da prisão em flagrante.
Emboscada e execução: os detalhes do crime em 2021
O crime aconteceu em uma tarde de abril de 2021, no distrito de Icoaraci, região metropolitana de Belém. Ednilson do Rego Pacheco, de 46 anos, era um próspero empresário do ramo de alimentos, proprietário de uma revenda de açaí e de um comércio local. Ele foi surpreendido pelos criminosos no momento em que chegava de carro do trabalho. Imagens de câmeras de segurança, fundamentais para a elucidação do caso, registraram a abordagem rápida e violenta.
Os executores desceram do veículo e efetuaram disparos fatais contra Ednilson, que não teve qualquer chance de defesa. Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores na época foi a natureza do roubo: apenas um cordão de ouro foi levado da vítima. Outros objetos de valor e quantias em dinheiro que estavam no carro não foram mexidos, o que levantou suspeitas sobre a motivação real do crime, embora a denúncia tenha seguido os trâmites de um crime contra a vida com características de execução.
Envolvimento de agentes de segurança e condenações prévias
O caso ganhou contornos ainda mais graves quando a identidade dos envolvidos foi revelada. O grupo era composto por indivíduos que, por profissão, deveriam zelar pela segurança pública ou privada. Além de Charles Pacheco, o grupo contava com:
- Diego Dias: Policial militar e proprietário do veículo usado no crime, condenado a 22 anos de prisão.
- Antenor Chagas: Guarda municipal, também já julgado e condenado.
- Antônio Carlos Pantoja: Vigilante, que recebeu sentença condenatória em júris anteriores.
A condenação de Diego Dias a mais de duas décadas de reclusão serviu como um marco para a família da vítima. A presença de um agente do Estado e de um guarda municipal entre os executores gerou um debate intenso sobre o desvio de conduta e a necessidade de fiscalização rigorosa dentro das corporações de segurança no Pará.
Provas materiais e a prisão em flagrante
A rápida resposta da Polícia Militar foi crucial para a prisão do grupo. Logo após a execução, agentes do motopatrulhamento localizaram o HB20 preto utilizado na fuga. Dentro do automóvel, a polícia encontrou um verdadeiro arsenal e itens que indicavam um planejamento profissional para atividades ilícitas. Foram apreendidas armas de fogo, munições de diversos calibres, roupas militares e uma balaclava (touca ninja).
Essas evidências materiais são peças-chave no julgamento desta quinta-feira. Para a acusação, a presença de Charles Pacheco em um veículo contendo tais itens dificulta a aceitação da tese de “carona inocente”. O desfecho deste júri é aguardado com ansiedade por familiares e amigos de Ednilson, que buscam a responsabilização total de todos os envolvidos na morte do empresário.
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