O Centro Maria do Pará, uma instituição vital no combate à violência doméstica e no apoio a suas vítimas, atinge a marca de 15 anos de atuação em Santarém, no oeste do Pará. A celebração, ocorrida nesta terça-feira (28), não é apenas um marco temporal, mas um testemunho do impacto profundo e transformador que o órgão tem exercido na vida de milhares de mulheres na região. Com um balanço que revela 3.248 mulheres atendidas e um total de 8.872 atendimentos técnicos realizados ao longo desse período, a unidade se consolida como um pilar essencial na rede de proteção municipal.
Os números apresentados em uma programação especial na sede do Centro, localizada no bairro Aeroporto Velho, sublinham a relevância de um trabalho contínuo e dedicado. Atualmente, 997 mulheres estão cadastradas na unidade, e um grupo significativo de 727 delas recebe acompanhamento ativo e multiprofissional, evidenciando o compromisso do Centro Maria do Pará com a reconstrução de vidas e a promoção da autonomia feminina.
Um Legado de Acolhimento e Suporte Integral
No coração do Centro Maria do Pará, histórias de dor e vulnerabilidade são gradualmente transformadas em trajetórias de resiliência e fortalecimento. A abordagem humanizada e a rede de apoio comprometida oferecem mais do que um simples acolhimento; elas proporcionam ferramentas e um ambiente seguro para que as mulheres possam ressignificar suas vivências e, crucialmente, retomar o controle de suas próprias narrativas. Este processo é fundamental para romper o ciclo de violência que muitas vezes aprisiona as vítimas.
O impacto desse trabalho é palpável nas palavras de uma das mulheres assistidas, que preferiu não se identificar, mas compartilhou sua experiência transformadora. “Antes de conhecer o Maria do Pará, eu não sabia que além da violência física existe também a psicológica, materiais e dentre outras. Eu estava me sentindo muito ruim psicologicamente de todas as formas, mas quando fui encaminhada para Maria do Pará eu fui bem acolhida, recebi atendimento psicológico, cursos e isso fez com que eu aumentasse a minha autoestima e me ressignificasse. Hoje eu sou muito grata a Maria do Pará, pois estou me sentindo bem e procurando continuar a minha história com paz, saúde e sabendo que nós temos direitos e que esses direitos a gente não pode deixar de procurar. Eu sou grata por tudo”, relatou, destacando a importância de reconhecer as diversas formas de violência e de buscar apoio.
A Saúde Mental como Pilar da Reconstrução
A coordenadora do espaço, Raimunda Silva, enfatiza que a saúde mental é a prioridade em 90% dos primeiros atendimentos. Muitas mulheres chegam ao Centro Maria do Pará profundamente adoecidas, enfrentando quadros de depressão e ansiedade severas, reflexo direto dos traumas e abusos sofridos. O suporte psicológico, portanto, não é apenas um complemento, mas a base para que essas vítimas possam iniciar o processo de cura e empoderamento.
A atenção à saúde mental é crucial para que as mulheres consigam desenvolver a resiliência necessária para enfrentar os desafios da recuperação e para se fortalecerem emocionalmente. Esse cuidado inicial é o que permite que elas se abram para as outras formas de assistência e se sintam seguras para planejar um futuro livre de violência.
Rumo à Autonomia: Apoio Social e Profissional
Além do suporte psicológico, o Centro Maria do Pará desempenha um papel fundamental na assistência social, visando garantir a subsistência e a independência econômica das mulheres. A autonomia financeira é um dos pilares para que as vítimas consigam romper definitivamente o ciclo de violência, não dependendo mais do agressor. Dados da unidade mostram que 427 assistidas recebem o benefício do Bolsa Família, 47 conquistaram moradia própria por meio do programa Minha Casa Minha Vida, e cinco contam com o aluguel social, medidas que oferecem estabilidade e segurança.
Para fortalecer essa independência, a unidade oferece uma gama de oficinas de geração de renda e cursos profissionalizantes, em parceria com instituições renomadas como Senai e Senac. Entre as opções, destacam-se cursos de informática e design de sobrancelhas, que capacitam as mulheres para o mercado de trabalho, abrindo novas perspectivas e oportunidades. “A gente procura direcionar essa mulher para ela sair daquela relação abusiva e conseguir viver sem aquele homem autor da violência”, ressaltou a coordenadora, sublinhando o objetivo central dessas iniciativas.
Rede de Proteção e Amparo Jurídico
A proteção integral oferecida pelo Centro Maria do Pará é garantida por uma equipe multidisciplinar altamente qualificada, composta por advogada, psicóloga, assistente social e pedagoga. Essa estrutura permite um atendimento holístico, que abrange desde o apoio emocional até a resolução de questões práticas e legais. Casos que envolvem pensão alimentícia e dissolução de união estável, por exemplo, são prontamente encaminhados à Defensoria Pública do Estado do Pará, assegurando que as mulheres tenham acesso à justiça e à defesa de seus direitos.
A articulação com outras instituições e a expertise da equipe são essenciais para navegar pelo complexo sistema legal e social, garantindo que cada mulher receba o suporte necessário em todas as etapas de sua jornada de recuperação e empoderamento. Este esforço conjunto reforça a importância de uma rede de proteção robusta e eficiente para combater a violência de gênero.
Os 15 anos do Centro Maria do Pará em Santarém representam não apenas um marco de tempo, mas a consolidação de um trabalho que transforma vidas, promove a dignidade e fortalece a luta contra a violência doméstica. Acompanhe o Portal Pai D’Égua para mais informações relevantes, atuais e contextualizadas sobre temas que impactam a sociedade e a vida dos cidadãos em nossa região e no Brasil. Nosso compromisso é com a informação de qualidade e a credibilidade jornalística.