A usina de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, é uma das maiores geradoras de energia do mundo, com uma capacidade instalada de 14.000 megawatts (MW). Recentemente, um novo projeto tem chamado a atenção: a instalação de painéis solares sobre o reservatório da usina, que possui um perímetro de cerca de 1.300 km² e uma extensão de quase 170 km. Essa iniciativa visa explorar o potencial solar da área, que poderia, em teoria, dobrar a capacidade de geração da usina.
Desde o final de 2025, técnicos brasileiros e paraguaios têm trabalhado em um experimento que envolve a instalação de 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10.000 m², a 15 metros da margem paraguaia e a uma profundidade de 7 metros. A planta solar, que atualmente gera 1 megawatt-pico (MWp), é suficiente para suprir o consumo de 650 residências, mas sua energia é utilizada apenas para consumo interno, sem conexão à rede hidrelétrica.
O projeto, conhecido como “ilha solar”, tem como principal objetivo funcionar como um laboratório de pesquisa. Os engenheiros envolvidos estão analisando diversos fatores, como a interação dos painéis com o ambiente aquático e seus impactos sobre a fauna e flora locais. Além disso, estão sendo estudados aspectos como a temperatura da água e a estabilidade da estrutura dos flutuadores e ancoragens.
Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, destacou que, teoricamente, se 10% da área do reservatório fosse coberta com painéis solares, isso poderia gerar uma quantidade de energia equivalente à de outra usina de Itaipu. Embora essa ideia não esteja nos planos imediatos devido à grande área que demandaria e à necessidade de mais estudos, ela ilustra o potencial do projeto.
As estimativas preliminares indicam que levaria pelo menos quatro anos para que a geração solar atingisse 3.000 megawatts, o que representaria cerca de 20% da capacidade total da usina. O investimento inicial para a instalação dos painéis foi de US$ 854,5 mil, aproximadamente R$ 4,3 milhões, e as obras foram realizadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution e Luxacril.
Diversificação de fontes de energia em Itaipu
A diversificação das fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita apenas à energia solar. A usina também está investindo em projetos inovadores relacionados ao hidrogênio verde e ao desenvolvimento de baterias. Essas iniciativas estão sendo conduzidas no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação criado em 2003, que conta com parcerias com universidades e empresas públicas e privadas.
O Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, localizado no Parquetec, é responsável pelo desenvolvimento de hidrogênio verde, que é produzido sem a emissão de gás carbônico (CO₂). O processo utilizado é a eletrólise da água, que separa os elementos químicos a partir de moléculas de água (H₂O) por meio de equipamentos automatizados.
O hidrogênio verde é uma alternativa sustentável, podendo ser utilizado como insumo para diversas indústrias, incluindo as áreas química, petroquímica e alimentícia, além de servir como combustível para o setor de transporte. A planta de produção de hidrogênio verde em Itaipu também funciona como uma plataforma para o desenvolvimento de projetos-piloto.
Durante a COP30, realizada em Belém, um barco movido a hidrogênio, resultado de pesquisas no Itaipu Parquetec, foi apresentado como uma solução para a coleta seletiva nas comunidades ribeirinhas da região. Além disso, o centro de gestão energética do Parquetec está focado no desenvolvimento de células e protótipos para a fabricação e reaproveitamento de baterias, visando o armazenamento de energia.
Essas iniciativas demonstram o compromisso da Itaipu Binacional em diversificar suas fontes de energia e contribuir para um futuro mais sustentável, alinhando-se às tendências globais de inovação e responsabilidade ambiental.