A vasta e complexa malha hidrográfica do Pará, um dos maiores desafios geográficos do Brasil, tem sido palco de uma ofensiva contundente contra o crime organizado. Desde 2022, a estratégia de segurança pública do estado, focada na implantação de bases fluviais integradas, resultou na apreensão de mais de 6,7 toneladas de drogas. Esse volume expressivo de entorpecentes, retirado de circulação, reflete o compromisso em combater o tráfico que utiliza os rios amazônicos como rotas cruciais para suas atividades ilícitas.
As operações não se limitam apenas ao combate ao tráfico de drogas, mas abrangem uma gama diversificada de crimes, demonstrando a multifacetada atuação das forças de segurança. A presença constante e estratégica nessas bases tem transformado a dinâmica de segurança em regiões historicamente vulneráveis, impactando diretamente a vida das comunidades ribeirinhas e a integridade ambiental do Pará.
A Estratégia Fluvial: Bases Integradas como Escudos no Rio
O modelo de segurança fluvial implementado no Pará é considerado pioneiro, estabelecendo um novo padrão para a fiscalização em ambientes amazônicos. Atualmente, o estado conta com três bases em pleno funcionamento, cada uma posicionada estrategicamente em pontos-chave da malha hidrográfica. A Base Antônio Lemos, em Breves, foi entregue em 2022, marcando o início dessa nova fase. Em 2024, a Base Candiru, em Óbidos, reforçou a presença estatal na região oeste. Por fim, a Base Baixo Tocantins, em Abaetetuba, entregue em março de 2026, completa o trio de estruturas que servem como centros de operações contínuas.
Nesses locais, equipes multidisciplinares realizam abordagens sistemáticas a embarcações, revistas e patrulhamentos intensivos. A escolha dessas regiões não é aleatória; elas representam rotas frequentemente exploradas por criminosos para o transporte de drogas e outros ilícitos, aproveitando a dificuldade de acesso e a imensidão dos rios. A governadora Hana Ghassan destacou a relevância dessa abordagem: “O Pará é pioneiro ao implementar esse modelo de integração na segurança fluvial. Mesmo com nossa grande malha de rios, o uso de inteligência e o trabalho conjunto têm sido fundamentais para avançarmos”, afirmou, ressaltando a importância da colaboração entre diferentes órgãos.
Além da Apreensão de Drogas: Um Combate Multifacetado aos Ilícitos
A atuação das bases fluviais vai muito além da interceptação de entorpecentes. As fiscalizações revelam um cenário complexo de criminalidade, onde diversas ilegalidades se entrelaçam. Desde 2022, além das mais de 6,7 toneladas de drogas, foram apreendidas 78 armas de fogo, um indicativo da violência associada ao crime organizado. A proteção dos recursos naturais também é uma prioridade, com a apreensão de mais de 42 toneladas de pescado irregular, um golpe contra a pesca predatória que ameaça a subsistência de comunidades e o equilíbrio ecológico da região.
Os crimes ambientais também são alvos constantes. No mesmo período, 147 animais silvestres foram resgatados durante as abordagens, evidenciando o compromisso com a fauna amazônica. “A estratégia das bases fluviais é um divisor de águas para a segurança pública na Amazônia. Não se trata apenas de interceptar drogas, mas de estabelecer a presença do Estado em áreas historicamente vulneráveis, desarticulando redes criminosas que exploram a vastidão dos nossos rios para múltiplos ilícitos, do tráfico de entorpecentes ao ambiental”, comenta um especialista em segurança pública que acompanha as operações no estado.
Resultados Concretos e o Impacto na Vida Paraense
Os números do primeiro trimestre de 2024 reforçam a eficácia da estratégia. Somente nos três primeiros meses do ano, foram apreendidos 163,6 quilos de entorpecentes. Mais de 31 mil pessoas foram abordadas e 479 embarcações passaram por fiscalização, demonstrando a intensidade das operações. Essas ações resultaram em seis operações específicas e nove prisões, desmantelando redes e impactando a logística do crime.
Para o secretário de Segurança Pública, Ed-Lin Anselmo, a presença contínua nos rios é crucial. “Garantimos presença contínua, fortalecemos a fiscalização e combatemos diretamente o crime organizado”, disse, sublinhando que as bases ampliam a capacidade de fiscalização em áreas de difícil acesso e atingem diretamente as rotas utilizadas pelo tráfico. A sensação de segurança para os moradores das comunidades ribeirinhas é um dos impactos mais diretos. “Antes, a gente via muita movimentação estranha, mas agora, com as bases, a presença da polícia é constante. A gente se sente mais seguro para navegar e viver aqui na beira do rio. É um alívio grande”, relata um morador da região do Marajó, que prefere não se identificar.
O Futuro da Segurança nos Rios Amazônicos
A intensificação das fiscalizações representa um avanço significativo na luta contra o crime no Pará. Com uma das maiores malhas hidrográficas do país, os rios sempre foram um desafio para a segurança pública. A implementação das bases fluviais, no entanto, tem permitido aumentar as apreensões e dificultar a atuação de grupos criminosos, que agora enfrentam uma vigilância mais robusta e tecnológica. O sucesso do modelo paraense pode servir de inspiração para outros estados da Amazônia Legal, que compartilham desafios semelhantes na proteção de suas fronteiras fluviais e na garantia da segurança de suas populações.
O compromisso do Estado do Pará com a segurança de seus cidadãos e a proteção de seu vasto território fluvial é inegável. As bases integradas são mais do que pontos de fiscalização; são símbolos da presença estatal e da determinação em combater o crime em todas as suas formas. Para acompanhar de perto os desdobramentos dessa e de outras importantes iniciativas que moldam o futuro do Pará, continue conectado ao Portal Pai D’Égua, sua fonte de informação relevante, atual e profundamente contextualizada com a realidade paraense. Saiba mais sobre as ações de segurança pública no Brasil.