A brutalidade do feminicídio que vitimou Maysa Caroline Leal de Souza, de 26 anos, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, ganha contornos ainda mais complexos com novas revelações da Polícia Civil. O ex-namorado da jovem, principal suspeito de envolvimento no crime, além de negar a autoria direta, possui um histórico criminal que inclui passagens por tráfico de drogas, conforme informações divulgadas pelo delegado Wonderclebson da Silva Veloso, da Polícia Civil de Bragança (DEPOL/PA).
Maysa Caroline foi encontrada morta com sinais de tortura no bairro do Curuçambá, um desfecho trágico para um desaparecimento que mobilizou sua família. A investigação aponta que o ex-namorado, apesar de alegar ter desejado apenas um “castigo” para a vítima, teve participação ativa na execução, um cenário que expõe a crueldade da violência de gênero e a atuação de estruturas criminosas paralelas.
O histórico do suspeito e a dinâmica do crime
Em entrevista ao perfil “Thiago Notícias” no Instagram, o delegado Wonderclebson Veloso detalhou que o suspeito não apenas participou do feminicídio, mas também tentou se evadir da justiça, buscando refúgio em Bragança, onde acabou sendo localizado e preso pela Polícia Militar. A ficha criminal do homem revela um passado com envolvimento no tráfico de drogas, uma atividade que, segundo o delegado, ele teria mantido.
A motivação para o crime, de acordo com as investigações, seria uma suspeita de traição. “A partir daí, continuou na atividade, descobriu uma possível traição da vítima e levou para o tribunal do crime, executando a moça”, declarou o delegado. Essa afirmação é crucial, pois conecta a violência doméstica a uma estrutura de justiça paralela, o chamado “tribunal do crime”, onde disputas pessoais são resolvidas com extrema brutalidade, à margem da lei.
A brutalidade do “tribunal do crime”
O termo “tribunal do crime” refere-se a uma prática comum em áreas dominadas por facções criminosas, onde disputas internas ou externas são julgadas e sentenciadas por líderes do crime organizado. As punições variam desde espancamentos e torturas até a execução sumária. No caso de Maysa Caroline, a presença de pelo menos sete perfurações por arma de fogo e sinais de tortura em seu corpo são características que a polícia atribui a essa modalidade de “justiça” imposta por criminosos.
Essa dinâmica é um grave problema de segurança pública, pois mina a autoridade do Estado e impõe um regime de medo e violência às comunidades. Quando questões pessoais, como um desentendimento conjugal, são levadas a essa esfera, as consequências são invariavelmente trágicas e desproporcionais, como lamentavelmente ocorreu com Maysa.
O desaparecimento, as buscas e a dor da família
Maysa Caroline estava desaparecida desde a última terça-feira, 14 de maio, após sair de sua residência no bairro do Paar, em Ananindeua, acompanhada de uma amiga identificada apenas como “Duda”. A própria amiga teria sido a primeira a informar a família sobre a morte da jovem, gerando um misto de desespero e angústia.
A família, com o apoio da Polícia Militar, registrou um boletim de ocorrência e iniciou uma busca incessante. Na noite de quarta-feira, 15 de maio, surgiram as primeiras informações de que o corpo poderia estar em uma área de mata próxima ao campo conhecido como “Formigão”, no Curuçambá. A confirmação da localização do corpo veio no dia seguinte, selando o trágico destino de Maysa e mergulhando seus entes queridos em profunda dor.
A prisão do suspeito e os próximos passos da justiça
O ex-namorado foi capturado em Bragança na mesma quinta-feira, 16 de maio, dia da confirmação da localização do corpo de Maysa. Em depoimento à imprensa, ele negou ter ordenado a execução, afirmando que sua intenção era apenas que a jovem recebesse um “castigo” por uma suposta traição. Ele alegou não ter presenciado o crime e ter tomado conhecimento dos fatos por meio de uma amiga da vítima.
Questionado sobre a omissão em procurar a polícia, o suspeito admitiu ter tido medo de ser responsabilizado. “Eu fiquei com medo da mãe dela pensar que fui eu que mandei matar. Mas eu não mandei. Eu só falei pra cortar o cabelo dela. Só que, na hora, disseram que ela tava passando informação pra polícia”, afirmou. A fuga para Bragança, onde possui familiares na região do Salgado, foi motivada pelo receio de ser preso na Região Metropolitana de Belém.
Após a prisão, o homem foi transferido para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), em Belém, onde permanece à disposição da Justiça. Ele deverá responder pelo crime de feminicídio, que, agravado pelas circunstâncias e pelo histórico do suspeito, pode resultar em uma pena severa. A investigação continua para elucidar todos os detalhes e garantir que a justiça seja feita.
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