Destaques:
- Juiz concede 15 dias para análise de dados de estações rádio-base (ERBs) de oito pessoas ligadas ao triplo homicídio.
- Decisão atende pedido da defesa de Adriana Villela, acusada de ser a mandante do assassinato dos pais e da empregada.
- Análise de dados de telefonia e GPS visa esclarecer deslocamentos e horários cruciais para o caso de 2009.
O Tribunal do Júri de Brasília determinou, nesta sexta-feira (13), um prazo de 15 dias para que a polícia analise e apresente os dados de estações rádio-base (ERBs) de oito pessoas diretamente relacionadas ao emblemático Crime da 113 Sul. A medida, que visa aprofundar a investigação sobre o triplo homicídio ocorrido em 2009, é um desdobramento crucial em um dos casos mais complexos e longos da história criminal do Distrito Federal.
A decisão judicial atende a um dos diversos pedidos feitos pela defesa de Adriana Villela, filha das vítimas e acusada de ser a mandante do crime. O processo, que já passou por diversas instâncias, retornou à primeira instância após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular a condenação de Adriana em 2021, alegando cerceamento de defesa. Com o retorno, a defesa busca novas provas e elementos que possam recontextualizar os fatos e influenciar o desfecho do caso.
A intenção principal da análise das ERBs é verificar os deslocamentos e a localização de pessoas-chave nos dias próximos ao crime. As estações rádio-base, popularmente conhecidas como torres ou antenas de celular, são sistemas fixos de comunicação que registram a conexão de terminais telefônicos à rede da operadora. Ao analisar esses dados, é possível traçar um mapa de movimentação e horários, fornecendo informações valiosas sobre a presença ou ausência de indivíduos em determinadas áreas, o que pode ser fundamental para corroborar ou refutar alibis e testemunhos.
O Crime da 113 Sul: uma tragédia que chocou Brasília
O Crime da 113 Sul é um triplo homicídio que abalou Brasília em 28 de agosto de 2009. Naquela noite, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, de 73 anos, sua esposa, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, de 69, e a empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, de 58, foram brutalmente assassinados no apartamento do casal, localizado em uma quadra nobre da capital federal. As vítimas foram mortas a facadas, em um cenário de violência que chocou a sociedade e a elite política e jurídica do país, dado o prestígio e a influência do casal Villela.
A investigação inicial levou à condenação de Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, em 2013, e de seu sobrinho, Paulo Cardoso Santana, em 2016, como executores do crime. Ambos afirmaram em depoimento que agiram sob ordens de Adriana Villela, que os teria contratado por uma quantia em dinheiro e joias.
Quem são as oito pessoas sob análise
A determinação do Tribunal do Júri especifica que a análise dos relatórios das estações rádio-base deve abranger os terminais telefônicos de oito indivíduos, incluindo as vítimas, os executores condenados e outras pessoas ligadas ao caso. São eles:
- Leonardo Campos Alves e Paulo Cardoso Santana: condenados pela execução do crime.
- Neilor Teixeira da Mota: tio de Paulo Cardoso Santana.
- José Guilherme Villela, Maria Villela e Francisca Nascimento da Silva: as três vítimas fatais.
- Marcos Santana e Gerson Belarmino de Sousa: porteiros do prédio à época dos fatos.
O tribunal ressaltou que as análises devem incluir não apenas o dia do crime, mas também os dias anteriores e posteriores ao ocorrido, permitindo uma visão mais ampla dos padrões de deslocamento. No caso das vítimas, a análise deverá ainda apontar o horário de chegada de cada um ao apartamento no dia do crime, informação crucial para a reconstituição dos eventos.
A importância dos dados de ERBs para o caso
A análise das ERBs pode trazer à tona informações que estavam ausentes ou incompletas nas fases anteriores do processo. Para a defesa de Adriana Villela, esses dados podem ser determinantes para contestar a narrativa da acusação, apresentando um novo panorama sobre a movimentação dos envolvidos. A verificação de quem estava onde e a que horas, por meio da triangulação de antenas de telefonia e dados de GPS, pode fortalecer argumentos de defesa ou, inversamente, reforçar a tese da acusação.
A complexidade do Crime da 113 Sul, que envolveu uma família proeminente e uma trama de acusações graves, mantém a atenção pública e da mídia há mais de uma década. A cada novo desdobramento, como esta determinação judicial, a expectativa por clareza e justiça se renova. A análise tecnológica dos dados de telefonia representa mais um capítulo na busca por respostas definitivas em um caso que ainda ecoa na memória de Brasília.
O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a sociedade. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, trazendo aos nossos leitores análises aprofundadas e apurações rigorosas sobre os fatos que moldam o cenário local, regional e nacional.
Fonte: g1.globo.com