Destaques:
- CIDH realiza audiência sobre operações policiais no Rio
- Operação Contenção é considerada a mais letal da história do estado
- Relatório aponta agravamento da violência estatal
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) conduzirá uma audiência nesta quarta-feira (11) para discutir as operações policiais no Rio de Janeiro, com foco na Operação Contenção. A audiência ocorrerá na Cidade da Guatemala durante o 195º Período Ordinário de Sessões da comissão e será transmitida pelo canal do YouTube da CIDH.
Considerada a mais letal da história do estado, a operação contra o Comando Vermelho nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou em 122 mortes em outubro do ano passado.
Impacto e críticas
A CIDH, um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), visa promover e proteger os direitos humanos nas Américas. A audiência busca coletar informações e emitir recomendações para garantir o respeito aos direitos humanos.
Após a operação, a CIDH visitou o Brasil para investigar possíveis abusos e violações. Um relatório publicado pela comissão indicou que a operação não trouxe benefícios à segurança pública, mas sim aprofundou o sofrimento comunitário e reforçou a desconfiança institucional.
O relatório também destacou a falta de perícia independente e investigações autônomas, além de mencionar tentativas de criminalização de familiares das vítimas e defensores dos direitos humanos.
Operação Contenção
A operação, realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais. Foram feitas 113 prisões e apreendidas 118 armas e 1 tonelada de drogas. O governo do estado classificou a operação como “um sucesso”, afirmando que as mortes ocorreram em confrontos.
O objetivo era conter o avanço do Comando Vermelho e cumprir mandados de busca e prisão. Com um efetivo de 2,5 mil policiais, a operação foi a maior e mais letal dos últimos 15 anos no estado. As ações geraram pânico na cidade, com tiroteios intensos e fechamento de vias, escolas e comércios.
Organizações de direitos humanos e moradores denunciaram a operação como uma “chacina”, relatando cadáveres encontrados com sinais de execução. A operação levanta questões sobre o cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal para combater a letalidade policial.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br