Carnaval do Rio: Polícia Civil aponta a edição mais segura dos últimos anos, apesar de desafios persistentes

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© Alexandre Macieira/Riotur
© Alexandre Macieira/Riotur

O Carnaval do Rio de Janeiro de 2024 encerrou com um balanço de segurança notável, sendo considerado pela Polícia Civil como o mais seguro dos últimos anos. Com mais de 700 prisões realizadas no período e uma significativa redução em crimes de oportunidade, os dados divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) na última segunda-feira (23) indicam um esforço coordenado que surtiu efeito na proteção de foliões e turistas. Apesar do cenário positivo, o sistema judiciário apresentou o desafio da “porta giratória”, com quase 30% dos detidos sendo relaxados após audiências de custódia.

O Desafio da Megalópole Carnavalesca

A cada ano, o Rio de Janeiro se transforma no epicentro mundial do Carnaval, atraindo milhões de pessoas entre moradores e visitantes. Gerenciar a segurança de um evento de tamanha magnitude é uma tarefa hercúlea, que exige planejamento estratégico e a mobilização de um vasto contingente de forças de segurança. A edição deste ano se destacou justamente pela eficácia das operações policiais em meio a um fluxo intenso de público, consolidando um padrão de segurança que busca equilibrar a celebração com a ordem pública.

A queda de 43,5% nos registros envolvendo turistas, em comparação com o Carnaval anterior, é um indicador de particular relevância. Turistas são não apenas parte fundamental da festa, mas também um motor econômico para a cidade. A percepção de segurança, ou a falta dela, impacta diretamente a imagem internacional do Rio e sua capacidade de atrair visitantes. Reduções como essa reforçam a confiança no destino e no trabalho das autoridades, que parecem ter focado em pontos estratégicos para inibir a ação de criminosos que visam desavisados.

A Luta Contra Crimes de Oportunidade e a Resposta Policial

Um dos principais flagelos durante grandes eventos são os chamados crimes de oportunidade, como furtos e roubos de celular e contra transeuntes. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, detalhou que estas ocorrências tiveram uma redução de 32,88% em relação ao ano passado, passando de 739 para 496. Esse declínio substancial sugere que as estratégias de policiamento ostensivo e de inteligência foram eficazes em desarticular as redes que exploram a distração dos foliões.

Além da diminuição nos índices de criminalidade, a ação policial se mostrou mais assertiva na recuperação de bens e na apreensão de itens perigosos. Foram 112 celulares roubados recuperados, um impressionante aumento de 211% em relação ao ano anterior. Esse dado não apenas retorna bens às vítimas, mas também desincentiva a prática do crime ao demonstrar a maior probabilidade de recuperação e, consequentemente, de responsabilização. O aumento de 208% na apreensão de simulacros de arma de fogo (140 no total) e de 46% na quantidade de armas apreendidas (60 no total) revela um trabalho preventivo importante, retirando das ruas instrumentos que poderiam ser usados em assaltos, muitas vezes com violência.

A “Porta Giratória” da Justiça: Um Calcanhar de Aquiles

Contudo, o sucesso operacional da polícia esbarra em um desafio crônico do sistema judiciário brasileiro: as audiências de custódia e a subsequente soltura de parte dos detidos. Das 731 prisões efetuadas, cerca de 200, ou quase 30%, já tiveram a liberdade provisória concedida. Esse fenômeno, conhecido como “porta giratória”, foi criticado pelo secretário Victor dos Santos, que pontuou as limitações da legislação. Para a população e para as próprias forças de segurança, o relaxamento da prisão de indivíduos flagrados em atos criminosos pode gerar uma sensação de impunidade, minando os esforços de prevenção e repressão e colocando em xeque a efetividade da segurança pública como um todo. A discussão sobre a reforma das leis e o aprimoramento do sistema de justiça criminal permanece, portanto, central para consolidar avanços em segurança.

Segurança Abrangente: Do Mar ao Trânsito

A preocupação com a segurança no Carnaval carioca se estende muito além das ruas e dos blocos. A infraestrutura de apoio e a vigilância em outras áreas também merecem destaque. Mais de 1,8 mil salvamentos marítimos foram realizados no período, um terço deles concentrados nas praias da Barra e do Recreio, na zona sudoeste. Esse número reflete a grande afluência de pessoas ao litoral e a importância de um serviço de salvamento bem preparado e atuante, evitando tragédias em momentos de lazer.

No trânsito, a operação Lei Seca manteve sua vigilância. Com 44 ações e 4.658 condutores abordados, 858 foram autuados por alcoolemia. É um dado que, embora elevado, mostra a persistência da fiscalização e o esforço em prevenir acidentes causados pela combinação de álcool e direção. Um ponto positivo, e que demonstra responsabilidade em um ambiente de festa, foi o resultado do teste do bafômetro em cerca de 100 motoristas de carros alegóricos, com nenhum deles sendo autuado. Isso é crucial para a segurança dos desfiles e do público que os assiste.

Um Balanço Positivo e os Desafios Futuros

O Carnaval de 2024 no Rio de Janeiro, conforme os dados da Polícia Civil, representa um avanço significativo na segurança de um dos maiores eventos do planeta. A redução de crimes contra turistas e de oportunidade, somada à recuperação de bens e apreensão de armas, aponta para uma estratégia eficaz de planejamento e execução por parte das forças de segurança. No entanto, o desafio da “porta giratória” da justiça é um lembrete de que a segurança pública é um sistema complexo, que exige a sincronia entre policiamento, legislação e judiciário para garantir resultados duradouros e a sensação de segurança para a população. A manutenção desses bons índices dependerá da continuidade dos investimentos em inteligência, treinamento e da busca por soluções para os entraves legais que ainda comprometem o trabalho policial.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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