A Unidos do Viradouro emergiu vitoriosa da intensa competição do Carnaval do Rio de Janeiro, conquistando seu quarto campeonato com um desfile deslumbrante e um tributo emocionante ao legendário Mestre Ciça. A apuração, realizada na última quarta-feira, consolidou a força da escola de Niterói, que, com o enredo “Pra cima, Ciça!”, não apenas tocou a alma da Sapucaí, mas também alcançou a pontuação máxima de 270 pontos. A vitória, apertada por apenas um décimo de diferença sobre a Beija-Flor, é um testemunho da excelência artística e da capacidade da escola de envolver público e jurados em uma narrativa poderosa e profundamente humana, garantindo um lugar de destaque na história do maior espetáculo a céu aberto do mundo.
O Clímax da Apuração: Décimo a Décimo pela Glória
A apuração da última quarta-feira marcou uma das disputas mais tensas e emocionantes do Carnaval carioca. A Unidos do Viradouro, com sua bandeira vermelha e branca, demonstrou regularidade e excelência, gabaritando todos os nove quesitos avaliados. Sua performance impecável permitiu à escola descartar duas notas 9,9 (em Fantasias e Samba-enredo), garantindo a pontuação máxima de 270. A vitória por apenas um décimo de diferença (270 a 269,9) sobre a vice-campeã Beija-Flor, que também apresentou um desfile de altíssimo nível, sublinha o equilíbrio e a busca pela perfeição que definem o Grupo Especial do Rio de Janeiro.
O tetracampeonato consolida a Viradouro como potência da década. Após a vitória em 2020, o título de 2024 reafirma a consistência de um trabalho que alia técnica, criatividade e conexão com suas raízes. A escola de Niterói, vice-campeã em 2019 e campeã há quatro anos, demonstra um projeto de carnaval sólido e duradouro, capaz de ecoar muito além da Sapucaí. A Vila Isabel, com um desfile elogiado, completou o pódio na terceira posição, evidenciando o alto padrão de excelência exigido para brilhar no maior palco do samba.
Mestre Ciça: A Emoção de Uma Homenagem em Vida
No coração do enredo “Pra cima, Ciça!” estava Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, 69 anos, uma lenda viva do samba. Comandante da aclamada bateria Furiosa da Viradouro, Ciça é um ícone que moldou gerações de ritmistas e elevou a percussão carnavalesca. Sua carreira, iniciada na Estácio de Sá e com passagens marcantes por escolas como Salgueiro, é um testamento de dedicação. A homenagem em vida, rara no samba, conferiu ao desfile uma camada extra de emoção e reverência, transformando a celebração em uma declaração de amor à arte do mestre.
O desfile da Viradouro foi um espetáculo de surpresas e lágrimas, orquestrado para exaltar Ciça. O ponto alto foi a comissão de frente, que apresentou o mestre disfarçado, revelando-se ao lado de sua versão mirim, Vitor Gabriel. A cena recriou seus primeiros passos no samba, cercado por malandros e pelo leão da Estácio de Sá. Em um momento de teatralidade, Ciça simulou um mal-estar, retornando triunfalmente à concentração para reger sua bateria do alto do último carro alegórico, replicando um instante histórico de 2007. A emoção tomou conta da avenida, com ritmistas chorando e o público aplaudindo de pé.
Além da emocionante participação de Mestre Ciça, a Viradouro marcou o retorno de Juliana Paes como rainha de bateria após 18 anos. Sua presença, aliada à potência e precisão da bateria Furiosa, considerada uma das melhores do carnaval, complementou a grandiosidade do desfile. Cada detalhe reverberava a dedicação e o carinho por um dos maiores nomes do samba, transformando a Sapucaí em palco de profunda emoção e reconhecimento.
O Enredo “Pra Cima, Ciça!”: Uma Jornada de Reconhecimento e Identidade
O enredo da Viradouro transcendeu a biografia, imergindo na essência do samba e na figura de Mestre Ciça. Através de alegorias suntuosas e fantasias vibrantes, a escola narrou a jornada do menino Moacyr em Oswaldo Cruz, sua paixão pela percussão e sua ascensão como mestre. A escolha do tema ressaltou a importância de celebrar artistas em vida, um raro momento de gratidão. A narrativa, que mesclou a vida de Ciça com a história do samba, conectou público e jurados à mensagem, tornando o desfile uma experiência coletiva e memorável.
O Legado do Carnaval 2024 e o Impacto Além da Passarela
A vitória da Viradouro no Carnaval 2024 vai além do troféu, reforçando a escola de Niterói como uma das mais consistentes e inovadoras do Grupo Especial, consolidando sua trajetória de sucesso na última década. Para Niterói, o título é motivo de imenso orgulho, fortalecendo a identidade e o pertencimento. Em sentido mais amplo, o desfile da Viradouro lembra a capacidade do carnaval de honrar raízes, valorizar mestres e inovar. É um testemunho da resiliência e riqueza cultural do samba, que se reinventa, mantendo-se como patrimônio imaterial do Brasil.
O Carnaval do Rio, com seu gigantismo e complexidade, é um microcosmo do Brasil, onde arte, cultura, história e aspectos sociais se entrelaçam. A celebração de Mestre Ciça na Sapucaí é um tributo à ancestralidade, persistência e alegria que o samba representa. A repercussão do desfile, amplificada nas redes sociais, mostra o desejo do público por narrativas autênticas. A Viradouro, ao transformar um tema particular em espetáculo universal, reafirma o poder transformador da arte e a importância de valorizar quem constrói e perpetua a cultura popular brasileira.
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