Vereador do Rio é preso por suspeita de ligação com facção criminosa

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Destaques:

  • Vereador preso por suspeita de ligação com Comando Vermelho
  • Operação revela interferência política em áreas dominadas pelo tráfico
  • Investigações apontam estrutura criminosa complexa e articulada

O vereador do Rio de Janeiro, Salvino Oliveira Barbosa (PSD), foi preso nesta quarta-feira (11) pela Polícia Civil. Ele é suspeito de ligação com o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do estado. A operação policial revelou tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais.

De acordo com as investigações, Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, sob domínio da facção. Em troca, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados como ações voltadas à população local. Um exemplo é a instalação de quiosques na região, cujo beneficiários foram escolhidos pela facção, sem processo público transparente.

A assessoria do vereador afirmou que ainda não recebeu informações oficiais sobre o ocorrido e que a assessoria jurídica foi acionada para aguardar esclarecimentos das autoridades competentes.

Operação Contenção Red Legacy

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, deflagrou a Operação Contenção Red Legacy. O objetivo é desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual.

As investigações reuniram um conjunto robusto de provas que revelam o funcionamento interno da facção, demonstrando a existência de uma cadeia de comando organizada, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país. Até o momento, seis criminosos foram presos, incluindo o vereador do Rio de Janeiro.

Envolvimento de Marcinho VP

As apurações também identificaram a participação direta de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, um dos principais líderes históricos da facção. Sua esposa, Márcia Gama, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações com agentes externos.

Outro investigado é Landerson, sobrinho de Marcinho VP, que exerce papel de elo entre lideranças da facção e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pelo grupo. Márcia e Landerson são considerados foragidos da Justiça.

Durante as investigações, foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações. A Polícia Civil ressalta que essas condutas não refletem a atuação da maioria dos profissionais da segurança pública.

O trabalho investigativo aponta ainda uma estrutura criminosa complexa, com conselhos nacionais e regionais, e indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção.

As investigações seguem em andamento para aprofundar a responsabilização penal de todos os envolvidos e ampliar o combate às estruturas financeiras, operacionais e institucionais utilizadas pela organização criminosa.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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