Destaques:
- Ribeirão Preto registra um aumento de mais de 100 vezes nos casos de hepatite A no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o ano anterior.
- A Secretaria Municipal de Saúde classifica a situação como um surto, intensificando a investigação de fontes de contaminação e a preparação da rede assistencial.
- A vacina contra a hepatite A está disponível no SUS para crianças e grupos de risco, e a higiene pessoal e alimentar são cruciais na prevenção da doença.
Ribeirão Preto, SP – A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, enfrenta um cenário preocupante na saúde pública. O município registrou um aumento alarmante nos casos de hepatite A em Ribeirão Preto no primeiro trimestre de 2024, acendendo o alerta das autoridades sanitárias e da população. Os números divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde revelam uma escalada drástica da doença, que exige atenção e medidas preventivas urgentes.
De acordo com o levantamento oficial, entre janeiro e março deste ano, Ribeirão Preto contabilizou 203 casos de hepatite A. O dado é estarrecedor quando comparado ao mesmo período de 2023, quando foram registrados apenas dois casos. Essa explosão de infecções, que representa um aumento de mais de 100 vezes, começou a ser observada em dezembro do ano passado e tem persistido, caracterizando um surto na cidade.
Surto de Hepatite A: Entenda a Gravidade e a Resposta da Saúde
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, explicou à imprensa que, embora o crescimento não seja exponencial, o volume de casos está “além do esperado”. A situação levou a Secretaria de Saúde a intensificar as ações de vigilância epidemiológica, buscando identificar as possíveis fontes de contaminação e orientar a população sobre as formas de prevenção.
A hepatite A é uma infecção viral altamente contagiosa, causada pelo vírus da hepatite A (HVA), que se hospeda exclusivamente em humanos. A doença provoca uma inflamação aguda no fígado, sendo a forma mais comum de hepatite viral. Sua transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, ou seja, através do contato com água, alimentos ou objetos contaminados com fezes de uma pessoa infectada. Compartilhar talheres e copos, ou até mesmo o contato próximo em ambientes coletivos com higiene inadequada das mãos, são vias comuns de disseminação. Em alguns casos, a transmissão também pode ocorrer por meio de relações sexuais que envolvam contato com resíduos fecais.
Apesar da investigação minuciosa, a Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto ainda não identificou um ponto principal de contaminação na cidade. “Estamos investigando caso a caso e quando fazemos a investigação, conversamos com as pessoas, investigamos onde trabalham, se manipulam alimentos, se viajaram, enfim, buscando uma possível fonte de infecção. Se identificamos alguma fonte de infecção, atuamos”, detalha Luzia. Além disso, a rede assistencial está sendo preparada para garantir a disponibilidade de exames laboratoriais para um diagnóstico rápido e preciso dos casos.
Sintomas, Diagnóstico e o Impacto na Vida dos Pacientes
Os primeiros sinais da hepatite A podem ser confundidos com uma gripe comum, incluindo cansaço, febre e náuseas. Com a progressão da doença, surgem sintomas gastrointestinais como enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia. Em estágios mais avançados, a infecção se manifesta de forma mais evidente com urina escura e a característica pele e olhos amarelados, conhecida como icterícia. A assessora de eventos Mariana Villares, diagnosticada com hepatite A em Ribeirão Preto, compartilhou sua experiência: “Não é fácil, é uma doença muito chata, coça demais o corpo, a gente fica com esses sintomas de olho amarelo. Se cuidem, tomem as vacinas. Eu comecei com uma gripe, então se vocês perceberem qualquer sintoma diferente, procure um médico”. Seu depoimento ressalta a importância da atenção aos sintomas e da busca por ajuda médica imediata.
O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo da doença e para evitar sua propagação. A confirmação é feita por meio de exames de sangue que detectam anticorpos específicos contra o vírus da hepatite A. Para mais informações sobre a doença, você pode consultar fontes confiáveis como o Ministério da Saúde.
Prevenção é a Melhor Arma: Vacinação e Higiene Essencial
A boa notícia é que a hepatite A é uma doença prevenível. As principais estratégias incluem a vacinação e a adoção rigorosa de hábitos de higiene pessoal e alimentar. A vacina contra a hepatite A faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do SUS desde 2014, sendo indicada para crianças e grupos de risco. “Essa vacina está no nosso calendário do SUS desde 2014, então a gente não tem visto mais nas crianças, mas aquele pessoal que não teve a oportunidade de pegar a vacina pode estar suscetível”, explica a infectologista Silvia Fonseca.
Em Ribeirão Preto, a vacina está disponível em todas as salas de vacinação da cidade. É crucial que pais e responsáveis levem seus filhos para vacinar e que os grupos de risco busquem a imunização. Além da vacina, medidas simples de higiene são poderosas aliadas: lavar as mãos frequentemente com água e sabão (especialmente antes de preparar alimentos e após usar o banheiro), consumir água tratada ou filtrada, e higienizar bem frutas e verduras antes do consumo. A melhoria do saneamento básico é também uma medida estrutural de longo prazo essencial para o controle da doença.
Para quem já está infectado, a infectologista Silvia Fonseca alerta sobre a importância do repouso, da hidratação e, principalmente, de evitar bebidas alcoólicas e medicamentos sem orientação médica. “Nada de remédios naturais, porque nem tudo que é chamado de natural pode ser benéfico para o fígado. Além de a pessoa fazer um repouso, não deve beber, porque o álcool é um inflamador de fígado”, enfatiza a médica. O álcool, em particular, pode agravar a inflamação hepática e prolongar a recuperação.
O surto de hepatite A em Ribeirão Preto serve como um lembrete contundente da importância da vigilância em saúde e da responsabilidade coletiva na prevenção de doenças. A informação e a adesão às campanhas de vacinação e às práticas de higiene são as ferramentas mais eficazes para proteger a saúde de todos. Para mais dicas de saúde e bem-estar, clique aqui e explore outros conteúdos do Portal Pai D’Égua.
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Fonte: g1.globo.com