Correspondências diplomáticas confirmam essa cumplicidade. Um documento de outubro de 1973, intitulado “Tortura no Brasil”, mostra o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirmando ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores de seu país que o Estado brasileiro cometia crimes. Ele descrevia métodos de tortura e alertava que a violência era conhecida nas altas esferas do governo brasileiro.
Apesar de todo o conhecimento, a Suíça optou por manter boas relações com a ditadura, chegando a perseguir ativistas brasileiros. Enquanto a dupla nacionalidade poupou Jean Marc de uma expulsão, outros exilados, como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor, foram expulsos e tiveram seus vistos cassados sob a alegação de “quebra da neutralidade”. Um informe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil de novembro de 1970 celebrou essas expulsões, atribuindo o sucesso às relações econômicas entre os dois países.
A Suíça jamais rompeu política ou economicamente com a ditadura brasileira. Questionada sobre essa postura, a embaixada suíça no Brasil respondeu que “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”, saudando a realização de estudos independentes para compreender o passado.
Essas revelações fazem parte do projeto “Perdas e Danos”, um podcast que investiga a ditadura militar e que, em sua segunda temporada, explora a intrincada rede de relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio “Relógio Suíço”. A busca por justiça e a compreensão plena dos eventos daquele período continuam sendo fundamentais para a memória e o futuro do Brasil.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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