Setor de serviços no Pará cai 7,3% em dezembro e turismo acende alerta

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Gabriel da Mota
Gabriel da Mota

O setor de serviços no Pará sofreu uma queda acentuada de 7,3% em dezembro de 2025, em comparação ao mês anterior, conforme os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa retração coloca o estado em posição de destaque negativo no cenário nacional, sendo impulsionada principalmente por uma expressiva queda de 7,9% nas atividades turísticas, que foi a maior do Brasil no período.

O desempenho do setor em dezembro é ainda mais preocupante devido ao seu histórico. Tradicionalmente, o mês é um período de alta para o turismo, o que torna essa queda um sinal de alerta sobre a fragilidade da recuperação econômica no Pará. Sebastião Campos, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA), destacou que a diminuição pode estar ligada a problemas estruturais como logística, conectividade aérea e disponibilidade de serviços.

Cenário do turismo e suas repercussões

O impacto do turismo no desempenho do setor de serviços é inegável. Em novembro de 2025, o Pará havia registrado um crescimento significativo de 24,4% nas atividades turísticas, impulsionado pela realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) em Belém. Essa conferência atraiu um grande fluxo de visitantes, mas a queda em dezembro sugere que a economia local é altamente dependente de eventos desse porte.

Campos também chamou atenção para a necessidade de diversificação da economia local. O crescimento do setor de serviços em 2025 estava intimamente ligado a eventos específicos, e a ausência de iniciativas semelhantes pode resultar em flutuações significativas na receita. A dependência de grandes eventos limita a capacidade do setor de se sustentar em períodos normais, o que é uma preocupação para o futuro imediato.

Análise econômica e expectativas futuras

O economista Mário Ribeiro, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), ressaltou que a estrutura econômica da região contribui para a discrepância entre o crescimento do Pará e a média nacional. Os estados que possuem setores de serviços mais diversificados e que incluem tecnologia e finanças tendem a mostrar maior dinamismo. No caso do Pará, a economia se concentra em comércio, transporte e atividades do complexo extrativo, que são mais suscetíveis a variações na renda local.

Ribeiro também observou que oscilações mensais são comuns, e que o impacto da COP 30 deve ser avaliado em um contexto mais amplo, considerando séries temporais longas. O crescimento que o estado experimentou durante o evento não deve ser visto isoladamente, mas como parte de um ciclo econômico que requer uma visão mais abrangente e estratégica.

Desdobramentos no mercado de trabalho

A retração no setor de serviços já começa a refletir na confiança do empresariado para o início de 2026. O Indicador de Contratação de Funcionários (IC) da Fecomércio-PA apontou uma queda de 3,3% em janeiro, indicando que muitas empresas estão adotando uma postura cautelosa em relação a novas contratações. O setor de serviços é o maior empregador do estado, e essa retração pode ter um efeito cascata, dificultando a recuperação e a expansão do mercado de trabalho.

Sebastião Campos enfatiza que essa cautela é compreensível, já que muitas empresas preferem esperar por sinais mais claros de recuperação antes de ampliar suas equipes. Além disso, é comum que haja desligamentos após o término dos contratos temporários de fim de ano, o que contribui para essa baixa nas contratações.

Perspectivas e reflexões

Os dados apresentados pelo IBGE não apenas revelam desafios imediatos, mas também trazem à tona uma discussão mais ampla sobre a necessidade de inovação e diversificação na economia do Pará. A capacidade de o estado se reinventar e atrair investimentos em setores menos dependentes de eventos pontuais será crucial para a recuperação econômica e o fortalecimento do turismo.

Por fim, a reportagem tentou contato com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) para obter uma posição sobre os dados, mas não obteve retorno até o momento. A situação exige atenção e acompanhamento contínuo, especialmente para que os cidadãos e os empresários do Pará possam se preparar para os próximos desafios. Continue acompanhando o Portal Pai D’Égua para mais notícias e análises sobre a economia e outros temas relevantes.

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