Uma pesquisa realizada por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) identificou a presença de metais tóxicos, como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo, em peixes consumidos em diversas localidades da região do Baixo Amazonas. O estudo, que abrangeu municípios como Faro, Juruti, Santarém, Oriximiná e Itaituba, destaca a relevância da questão para a saúde pública e o meio ambiente.
Metais tóxicos e suas implicações
A pesquisa não conclui que os peixes estejam impróprios para o consumo, uma vez que as concentrações de substâncias tóxicas variam entre as espécies. Em particular, as espécies predadoras apresentaram níveis mais altos de mercúrio, mas algumas delas têm concentrações que permanecem dentro dos limites considerados seguros. O estudo avaliou seis espécies de peixes, incluindo tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha, e duas não predadoras: aracu e acari.
Contexto ambiental e social da pesquisa
A escolha das localidades e espécies estudadas foi influenciada por fatores ambientais críticos. A mineração artesanal de ouro, muitas vezes ilegal, tem sido uma atividade poluidora na região, contribuindo para a contaminação por mercúrio. Nos últimos anos, a intensificação dessa prática, com a adoção de equipamentos pesados, resultou em um aumento significativo da degradação ambiental.
Além disso, grandes projetos de mineração de bauxita, como os localizados em Porto Trombetas e Juruti, têm gerado resíduos que podem alterar a qualidade da água e do solo. Santarém, embora não tenha atividades mineradoras diretas, é afetada pela sedimentação dos rios Tapajós e Amazonas, que transportam contaminantes provenientes de áreas adjacentes.
Transformações na agricultura e suas consequências
A região do Baixo Amazonas também tem passado por uma rápida transformação agrícola, com a transição de uma agricultura familiar para uma agricultura mecanizada, focada na produção de milho e soja. A área plantada com soja aumentou de 25 hectares em 2001 para 122 mil hectares em 2024, impulsionando o desmatamento e a degradação do solo.
Essas mudanças, somadas às atividades de mineração, têm contribuído para a erosão e a mobilização de mercúrio nos ecossistemas aquáticos. No município de Faro, que não é diretamente afetado por mineração, a pressão de atividades agrícolas e desmatamento também representa um risco à saúde pública.
Resultados e riscos à saúde
Os resultados da pesquisa indicam que os peixes carnívoros, como tucunaré e pirarucu, podem apresentar concentrações de mercúrio que ultrapassam os níveis seguros para consumo frequente. No cenário amazônico, onde o consumo de peixe é elevado, os dados apontam para riscos à saúde, especialmente em relação a efeitos neurológicos associados ao mercúrio. O arsênio, presente em algumas amostras, também representa um risco potencial de câncer.
Os pesquisadores alertam que as diretrizes nacionais de segurança alimentar não são adequadas para avaliar os riscos à saúde das populações amazônicas, que consomem peixe em quantidades significativamente maiores. Isso ressalta a necessidade de monitoramento ambiental e de ações de saúde pública voltadas para essas comunidades.
Conclusão e perspectivas futuras
O estudo conduzido pela Ufopa é um alerta sobre as consequências da degradação ambiental na saúde das populações ribeirinhas do Baixo Amazonas. A presença de metais pesados nos peixes pode ter implicações sérias para a saúde pública, exigindo uma abordagem mais cuidadosa em relação ao consumo de pescado na região. A pesquisa destaca a importância de um monitoramento contínuo e de políticas públicas que considerem as particularidades locais.
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Fonte: g1.globo.com