Paysandu inicia recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 16,7 milhões, mas administrador descarta ‘colapso’

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Eduardo Rocha
Eduardo Rocha

O Paysandu Sport Club, um dos gigantes do futebol paraense e de grande relevância no cenário esportivo nortista, abriu oficialmente uma nova e desafiadora página em sua história. Em meio a uma crise financeira que se aprofundou com o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro em 2025, o clube formalizou um pedido de recuperação judicial. A medida, recentemente deferida pela Justiça, visa reestruturar um passivo que chega à impressionante marca de R$ 16,7 milhões.

Apesar da gravidade do montante e do cenário que historicamente assusta torcedores, o administrador judicial do processo, o contador Cláudio Humberto Barbosa, ouvido pelo Núcleo de Esportes de O Liberal, faz questão de pontuar: “Não é colapso”. Para ele, a recuperação judicial representa um mecanismo legal proativo para evitar a falência, permitindo ao Papão reorganizar suas finanças sob supervisão da Justiça e garantir a continuidade de suas atividades esportivas.

A Profundidade da Crise e o Grito de Alerta

A situação financeira do Paysandu não é um problema isolado, mas o acúmulo de desafios ao longo dos anos. O rebaixamento para a Série C, vindo da lanterna da Série B, não apenas impacta o prestígio esportivo, mas também acarreta uma drástica redução de receitas, como cotas de televisão e patrocínios, agravando a já delicada situação. A dívida de R$ 16,7 milhões, neste contexto, tornou-se um obstáculo intransponível sem uma intervenção externa e um plano de reestruturação robusto.

Para os torcedores bicolores, a notícia da recuperação judicial acende um alerta, mas também, para muitos, representa uma esperança de dias melhores. Tradicionalmente, clubes que buscam essa saída legal já estão em um estágio avançado de endividamento, e a memória de outros gigantes brasileiros que enfrentaram dificuldades semelhantes ressoa na comunidade esportiva. O Paysandu não é apenas um time; é uma paixão que move multidões no Pará, e sua saúde financeira e esportiva reflete diretamente na autoestima de milhares de paraenses.

O Mecanismo da Recuperação Judicial: Um Respiro Estratégico

O pedido de recuperação judicial do Paysandu foi acatado na última sexta-feira (20) pelo juiz Ivan Delaquis Perez, da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém. A decisão é um marco, pois reconhece que, embora constituído como associação civil, o clube exerce uma atividade econômica e, portanto, tem o direito de recorrer a esse instrumento legal, previsto na Lei nº 11.101/2005, para superar a crise e afastar o risco de falência.

Com o deferimento, o clube ganhou um “stay period” de 180 dias, período em que todas as execuções e bloqueios contra a agremiação ficam suspensos. Este é um fôlego vital para a diretoria, que terá até 60 dias, dentro desse prazo, para apresentar um Plano de Recuperação Judicial estruturado. Este plano, detalhando como o Paysandu pretende pagar seus credores, será então submetido à Assembleia Geral de Credores. Se aprovado, torna-se a regra para a reestruturação financeira. A não aprovação ou o descumprimento, contudo, pode levar à temida decretação de falência.

O Papel Fundamental do Administrador Judicial

Cláudio Humberto Barbosa, com mais de duas décadas de experiência em perícia contábil e atuando como administrador judicial desde 2007, desempenhará um papel crucial neste processo. Conforme o Art. 22 da Lei 11.101/2005, o administrador judicial é o elo entre o juiz, o devedor e os credores. Ele fiscaliza as atividades do clube, acompanha a situação financeira, verifica os créditos, elabora relatórios periódicos e, sobretudo, garante a transparência e o equilíbrio dos interesses de todas as partes envolvidas.

Para Cláudio Humberto, a medida do Paysandu é “legítima e cada vez mais utilizada por clubes brasileiros”. Ele destaca que a decisão judicial não é uma aprovação automática, mas o reconhecimento de uma crise que precisa ser reorganizada de forma coletiva e supervisionada, evitando ações isoladas que poderiam, de fato, inviabilizar a atividade esportiva do clube. “Grave seria não buscarem mecanismos legais. Ao meu ver, significa que a situação exige reorganização estruturada, mas não necessariamente colapso financeiro”, reforça.

Cenário Nacional: Paysandu não é o Primeiro, nem Será o Último

A situação do Paysandu ecoa um problema recorrente no futebol brasileiro. Diversos clubes, alguns de grande expressão nacional, já recorreram ou estão em vias de recorrer a mecanismos de reestruturação financeira. A má gestão, a falta de profissionalização, dívidas fiscais e a dependência de receitas variáveis têm levado muitas agremiações à beira do abismo financeiro. A recuperação judicial, nesse sentido, tornou-se uma ferramenta jurídica essencial para muitos que buscam uma segunda chance.

O fato de a Justiça reconhecer que um clube de futebol, mesmo sendo uma associação civil, exerce atividade econômica e pode se valer da Lei de Falências e Recuperação Judicial, demonstra uma evolução na compreensão da natureza dessas entidades. Não se trata apenas de esporte, mas de uma complexa engrenagem que gera empregos, movimenta a economia local e representa uma marca com valor de mercado. A decisão de buscar a recuperação judicial, portanto, é vista por especialistas como um passo necessário para garantir a longevidade e a saúde futura do clube.

O Caminho Adiante: Desafios e Esperanças

Ainda que o deferimento da recuperação judicial seja um alívio temporário, o caminho do Paysandu é longo e cheio de desafios. A elaboração de um plano de pagamento exequível e a negociação com os credores exigirão competência, transparência e, acima de tudo, a capacidade de gerar novas receitas e otimizar as existentes. O risco de convolação em falência ainda existe, especialmente se o plano não for aprovado ou se houver descumprimento das obrigações ou má gestão durante o processo, hipótese em que o juiz pode até afastar a administração e nomear um gestor judicial.

Para Cláudio Humberto, “não tomar qualquer medida seria erro”. A recuperação judicial, nesse contexto, é a busca por soluções estruturadas para um problema complexo. É uma oportunidade para o Paysandu se reinventar, profissionalizar sua gestão e construir um futuro mais sustentável, tanto dentro quanto fora dos gramados. A atenção da torcida e da imprensa será fundamental para acompanhar cada etapa desse processo que promete redefinir a trajetória do Papão da Curuzu.

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Fonte: https://www.oliberal.com

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