O Paysandu enfrenta um cenário de crescente pressão jurídica e financeira. Recentemente, o atacante paraguaio Jorge Benítez ingressou com uma ação trabalhista contra o clube, exigindo o pagamento de R$ 333.664,51. Este montante se refere a salários e outros direitos em atraso. Benítez se tornou o sétimo atleta do elenco de 2025 a recorrer à Justiça, evidenciando uma insatisfação generalizada após uma temporada que culminou no rebaixamento à Série C e na frustração da torcida.
Contratado em março de 2025, Benítez participou de 29 partidas, marcando três gols. Embora tenha tido momentos de destaque, seu rendimento declinou na reta final da Série C, resultando em menor utilização. Seu processo judicial ecoa outras alegações similares contra o clube: inadimplência salarial, pendências de direitos de imagem e a falta de recolhimento do FGTS.
Impacto Legal e Financeiro Crescente
A situação de Benítez é apenas um capítulo em um histórico de problemas judiciais do Paysandu. A Justiça do Trabalho já impôs uma multa superior a R$ 1,5 milhão ao clube, decorrente de atrasos salariais registrados em 2024. Esta penalidade foi aplicada com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho em 2008, o que elevou consideravelmente o passivo trabalhista da instituição.
A lista de jogadores que buscam seus direitos na Justiça é extensa e inclui valores expressivos. O caso de maior valor é o de Rossi, que cobra R$ 5,1 milhões. Suas alegações incluem atrasos salariais, não pagamento de direitos de imagem, FGTS em aberto e até mesmo afastamento das atividades de treinamento. Em seguida, o volante Leandro Vilela move uma ação de R$ 4,05 milhões, baseada em salários atrasados, ausência de depósitos de FGTS e pendências de imagem. André Lima, por sua vez, ingressou com um processo superior a R$ 1,6 milhão, citando diversas irregularidades contratuais.
Outros atletas também buscaram amparo legal. Pedro Delvalle exige cerca de R$ 914 mil após obter a rescisão antecipada de seu contrato. O caso de Ramón Martínez, que discutia valores próximos de R$ 800 mil, foi encerrado com um acordo e rescisão amigável. Já Dudu Vieira cobra R$ 705 mil, também após deixar o clube por meio de uma ação trabalhista.
Dívida Milionária e Pressão sobre a Gestão
A soma das ações individuais dos jogadores eleva o passivo do Paysandu para mais de R$ 12 milhões apenas em processos trabalhistas. Ao adicionar a multa imposta pela Justiça do Trabalho, a dívida trabalhista total estimada do clube ultrapassa a marca de R$ 13,5 milhões. Este cenário de crise financeira, que se estende para além dos gramados, impõe uma pressão significativa sobre a gestão bicolor nos próximos meses, exigindo soluções urgentes para estabilizar a situação do clube.