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Apesar de mais de 1,5 mil roubos mensais, Pará registra queda na criminalidade armada

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mês. Segundo a definição jurídica, esse crime acontece com a utilização de armas
Reprodução Oliberal

O estado do Pará enfrenta um desafio persistente com a criminalidade, registrando uma média alarmante de mais de 1,5 mil casos de roubo à mão armada por mês. Contudo, dados recentes da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) indicam uma tendência de redução nesses delitos, um sinal de que os investimentos e estratégias adotadas pelas forças de segurança podem estar surtindo efeito. A compreensão desse cenário complexo, que oscila entre números elevados e uma diminuição gradual, é fundamental para analisar a eficácia das políticas públicas e a percepção de segurança da população.

De acordo com a definição jurídica, o roubo à mão armada caracteriza-se pela utilização de armas — sejam de fogo ou brancas — para intimidar ou atacar a vítima com o objetivo de subtrair seus bens. No ano de 2025, o Pará contabilizou um total de 18.864 ocorrências dessa natureza. Em uma análise comparativa, esse número representa uma diminuição de 15,41% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 22.301 casos. Essa redução, conforme enfatizado pelo titular da Segup, é atribuída diretamente aos investimentos contínuos nas forças de segurança pública do estado.

Panorama da criminalidade no Pará: números e tendências

Apesar da queda percentual, os números absolutos ainda são expressivos. Nos cinco primeiros meses de 2026, a Segup já contabilizou 5.633 casos de roubo à mão armada. Esses dados reforçam a necessidade de vigilância constante e aprimoramento das ações de combate ao crime. A realidade da violência se manifesta em diversas ocorrências que ganham destaque, refletindo a dinâmica da criminalidade em diferentes regiões do estado.

Entre os casos mais recentes que ilustram a gravidade da situação, está a prisão de um homem suspeito de assaltar uma mulher no bairro do Bengui, em Belém. O incidente, ocorrido na última segunda-feira (1º/6), ganhou repercussão após a vítima ser agredida com uma coronhada na cabeça ao tentar evitar o roubo de seu aparelho celular. Em outro episódio, na última quinta-feira (4/6), dois homens assaltaram um posto de combustíveis localizado às margens da rodovia BR-316, em Castanhal, no nordeste do Pará, com a ação sendo registrada por câmeras de segurança.

Fora da Região Metropolitana de Belém, a violência também se fez presente. Um estabelecimento comercial foi roubado por homens armados que invadiram o local no dia 27 do mês passado, na Vila Maiauatá, no município de Igarapé-Miri, também no nordeste paraense. Ainda em maio deste ano, um homem e um adolescente armados e encapuzados tentaram assaltar um supermercado em Anajás, no Pará. A reação dos funcionários, um deles portando um terçado, resultou na rendição de um dos suspeitos, com o adolescente sendo ferido pelo trabalhador, segundo informações da Polícia Civil.

Estratégias de segurança pública: investimento e operações

Para enfrentar esse cenário, o estado do Pará tem implementado uma série de estratégias. O titular da Segup, Ed-lin Anselmo de Lima, detalhou que o foco principal tem sido o aumento no investimento nas polícias Civil e Militar. “Recentemente, a governadora Hana Ghassan chamou mais efetivo policial para estar nas ruas, aprovados no concurso público da Polícia Militar de 2023, o que leva mais segurança e fiscalização. Tivemos um acréscimo de viaturas nas ruas. E as investigações são decorrentes dos crimes que são cometidos”, explicou o secretário.

Anselmo de Lima destacou ainda o sucesso na recuperação de bens, como os mais de 5 mil aparelhos roubados e furtados que foram devolvidos aos proprietários no ano passado. Essa ação é um reflexo direto da intensificação das investigações. Um exemplo notável é a operação deflagrada pela Polícia Civil, denominada “Mãos de Magneto”, que visa apreender celulares provenientes de furto ou roubo. Essa operação, segundo o secretário, seria intensificada durante o Parárraiá, o maior São João da Amazônia, que teve início na última sexta-feira (5/6) em Belém.

“É uma operação que vai justamente nesses grupos que vão a grandes eventos para cometer delitos. Conseguimos verificar quadrilhas que vêm de outros estados para cá e também iam daqui para outros locais. A estratégia é atacar o crime onde eles mais têm lucro, que é na revenda de celular”, detalhou o titular da Segup, ressaltando a importância de desarticular a cadeia de receptação. Mais informações sobre as ações da secretaria podem ser encontradas no site oficial da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup).

O papel da tecnologia e a vigilância cidadã contra o roubo

A tecnologia tem se mostrado uma aliada crucial no combate ao roubo e na identificação dos envolvidos. O secretário informou que o estado conta com mais de mil câmeras de segurança espalhadas, que facilitam as investigações. “Com a ajuda delas e das câmeras de moradores, a Polícia Civil consegue identificar, por meio do nosso banco de dados, pessoas que já são conhecidas e presas recorrentemente por esse tipo de prática a partir de características, tatuagens e roupas”, afirmou. Ele reiterou o compromisso com o aperfeiçoamento e o investimento contínuo em segurança e capacitação policial.

Além das ações estatais, a população tem um papel fundamental na prevenção. Anselmo de Lima alertou para a necessidade de vigilância constante, especialmente no uso de aparelhos celulares. “Vivemos num momento em que todos usam celular e se desligam. Precisa ter atenção o tempo todo, verificar algo suspeito que lhe cause preocupação. Analisar o ambiente e ver se é um local soturno, se tem alguém na rua”, orientou. Ele aconselhou que, em caso de percepção de risco, a pessoa se antecipe e procure um local seguro, alertando outras pessoas ao redor.

O secretário enfatizou que reagir a um assalto não é a melhor opção. Em vez disso, caso o bem seja subtraído, a orientação é procurar a polícia imediatamente, ligando para o 190, e tentar fornecer o máximo de características dos suspeitos para auxiliar nas buscas. A realização de um boletim de ocorrência (BO) é de suma importância. Embora a delegacia virtual seja um facilitador, Anselmo de Lima aconselhou que, se possível, o registro seja feito em uma delegacia física, como a Seccional de Brás ou a Seccional da Cidade Nova, ambas funcionando 24 horas, pois a entrevista com o policial pode extrair detalhes cruciais que podem passar despercebidos em um registro online.

As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.

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