Operação M – Carnaval Seguro: Polícia Civil de SP prende 430 agressores de mulheres em força-tarefa

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
© PCSP/Divulgação
© PCSP/Divulgação

Em uma ação contundente e estratégica para combater a violência doméstica, a Polícia Civil de São Paulo realizou na última quarta-feira (11) a prisão de 430 agressores de mulheres. A iniciativa, batizada de Operação M – Carnaval Seguro, integra um esforço maior que visa cumprir cerca de 1,7 mil mandados de prisão em todo o estado, reforçando o compromisso das forças de segurança com a proteção feminina, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade.

Os números iniciais da operação refletem a dimensão do problema e a intensidade do trabalho policial: até o momento do fechamento desta reportagem, foram executados 385 mandados de prisão e realizadas 45 prisões em flagrante, com a apreensão de 14 armas. Tais dados sublinham a gravidade das situações enfrentadas pelas vítimas e a necessidade de intervenção imediata para garantir sua segurança e interromper ciclos de violência.

O Contexto da Operação e Seus Próximos Passos

A Operação M – Carnaval Seguro não se resume a uma ação pontual. Conforme explicou o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, em um balanço da iniciativa, o trabalho está apenas começando. “Nós estamos falando em torno de 35% dos mandados que foram cumpridos, pessoas localizadas. Nos demais mandados, nós temos outras fases dessa operação”, afirmou Dian, indicando uma estratégia de longo prazo e um monitoramento contínuo dos casos de violência contra a mulher.

A fala do delegado-geral reforça um compromisso que transcende os grandes eventos. Ele destacou que, além das operações maciças, a Polícia Civil cumpre mandados de forma isolada todos os dias. No entanto, a promessa de deflagrar operações mensais para capturar agressores procurados mostra uma articulação e uma prioridade crescente no combate a esse tipo de crime, enviando uma mensagem clara de que a impunidade não será tolerada. A escolha do período de Carnaval para intensificar a operação não é aleatória; festividades muitas vezes amplificam riscos, com o aumento do consumo de álcool e a alteração das rotinas sociais, que podem criar um ambiente propício para situações de assédio e agressão.

A Importância Crucial da Denúncia e do Acolhimento

Um dos pontos mais sensíveis e urgentes levantados pela Operação M é a necessidade de incentivar a denúncia. Cristiane Braga, coordenadora das delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) no estado de São Paulo, trouxe à tona um dado alarmante: 70% das vítimas de feminicídio não haviam feito nenhum registro de violência antes do crime fatal. Esse número sublinha o silêncio que muitas vezes precede a tragédia e a dificuldade das vítimas em buscar ajuda.

Braga enfatizou a importância do acolhimento humanizado nas delegacias, um fator crucial para que as mulheres se sintam seguras e encorajadas a relatar as situações de violência que vivenciam. “É preciso denunciar, é preciso ampliar essas possibilidades de acolhimento, para que a gente possa enfrentar a situação de violência desde o início. É importante que a mulher entenda que, ao primeiro ato, ela tem que procurar uma delegacia”, alertou. A barreira da denúncia é complexa, envolvendo medo, dependência emocional ou financeira, vergonha e, muitas vezes, a esperança de que o agressor mude. O papel das DDMs e de toda a rede de apoio é romper esse ciclo de silêncio e oferecer um caminho seguro para a saída da violência.

A Batalha Contínua Contra a Violência Doméstica

Os esforços da Polícia Civil paulista são parte de uma batalha contínua e desafiadora. No ano passado, as autoridades prenderam 14,2 mil agressores de mulheres no estado, o que representa uma média de 38 prisões por dia. Esse volume expressivo de detenções anuais, somado aos resultados de operações focadas como a atual, dimensiona a capilaridade da violência doméstica e a resiliência das instituições em combatê-la. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) representou um marco legal fundamental, mas a sua efetivação depende de ações como estas, que transformam a lei em proteção real.

A presença ostensiva e as investigações não apenas removem agressores das ruas, mas também têm um efeito pedagógico e preventivo na sociedade. Cada prisão é uma mensagem de que o Estado está atento e agirá para proteger as vítimas, estimulando outras mulheres a buscarem ajuda e desestimulando potenciais agressores.

Reforço na Segurança e Acolhimento Durante o Carnaval

Pensando no período de Carnaval, onde a aglomeração e o clima de festa podem, paradoxalmente, aumentar os casos de assédio e agressão, a Polícia Civil de São Paulo intensificou seus serviços de acolhimento. Além das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) que funcionam 24 horas por dia na capital e em cidades do interior, furgões equipados como delegacias móveis serão estrategicamente espalhados pelos blocos de Carnaval. Essa medida visa facilitar o acesso imediato das vítimas à assistência policial.

É fundamental que as mulheres saibam que, em qualquer situação de assédio ou agressão, podem e devem procurar ajuda. Seja nas DDMs, nas delegacias móveis ou nas delegacias convencionais, a estrutura policial está mobilizada para oferecer suporte e garantir a segurança. A informação é uma ferramenta poderosa; saber onde e como denunciar pode ser o primeiro passo para sair de uma situação de violência e garantir que a folia, para todos, seja de fato segura e respeitosa.

A luta contra a violência doméstica é uma responsabilidade de todos. O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando de perto os desdobramentos da Operação M – Carnaval Seguro e outras ações que visam proteger as mulheres, trazendo informação relevante e contextualizada. Continue conosco para se manter informado e contribuir para uma sociedade mais justa e segura.

ANÚNCIOS

// bombando!

// Veja também