Avenida Liberdade é inaugurada em Belém, mas gera polêmica por impactos ambientais

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Arte/g1
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A Avenida Liberdade, uma nova via de 14 quilômetros que promete transformar a mobilidade na Região Metropolitana de Belém, foi oficialmente inaugurada nesta quinta-feira (2). A entrega da obra, no entanto, ocorre em meio a intensas controvérsias ambientais e disputas judiciais que levantam questões sobre os impactos socioambientais da construção.

Projetada para conectar a Alça Viária à avenida Perimetral, a nova via integra os municípios de Marituba, Ananindeua e Belém, criando uma alternativa de acesso à capital paraense. Originalmente prevista para ser entregue em outubro de 2025, a obra foi antecipada, sendo vista como uma solução para os problemas históricos de mobilidade urbana na região. A construção também inclui três quilômetros de duplicação da Alça Viária, um complexo rodoviário de 74 km que liga a Grande Belém ao interior do Pará e ao Porto de Vila do Conde.

Promessas de melhoria na mobilidade urbana

Segundo o governo do Pará, a Avenida Liberdade é a primeira via expressa sem interrupções na Amazônia, com a expectativa de beneficiar mais de dois milhões de pessoas. As autoridades afirmam que a nova via proporcionará maior fluidez no trânsito, redução do tempo de deslocamento e desafogamento das vias na Grande Belém. Além disso, o corredor pode facilitar o acesso ao Porto de Vila do Conde, impactando positivamente a ligação com as regiões sul e sudeste do estado.

Em termos de medidas ambientais, o projeto inclui a implantação de 34 passagens de fauna, sendo 22 aéreas e 12 subterrâneas, além da preservação de áreas naturais, quatro viadutos e duas pontes, buscando aumentar a segurança e a capacidade de tráfego.

Críticas e preocupações socioambientais

Apesar das promessas, a construção da Avenida Liberdade enfrenta críticas severas de moradores e ambientalistas. Muitas famílias ribeirinhas, que dependem da pesca e do extrativismo, relatam a destruição de seus meios de subsistência. Ana Alice dos Santos, agroextrativista, expressou sua dor ao ver a derrubada de árvores essenciais para sua sobrevivência. “Quando eles começaram a passar a máquina, eu chorei de tanta dor. Aqui é o nosso ganha pão”, desabafou.

Ivanildo da Silva, pescador da região, também se manifestou sobre os impactos negativos: “O peixe sumiu. O camarão, a gente pega bem pouquinho. A água está poluída”, referindo-se ao rio local que, segundo ele, sofreu assoreamento e contaminação.

A obra resultou na supressão de cerca de 72 hectares de floresta, atravessando uma unidade de conservação e afetando pelo menos 250 famílias de povos tradicionais. A Defensoria Pública do Estado do Pará questionou judicialmente a obra, alegando falta de consulta adequada às comunidades afetadas.

Repercussões internacionais e ações judiciais

A polêmica em torno da Avenida Liberdade ganhou repercussão internacional, com críticas até do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma postagem nas redes sociais, Trump denunciou a devastação da floresta brasileira para a construção da rodovia, embora o governo brasileiro tenha afirmado que a obra não possui ligação direta com a Conferência das Partes (COP 30).

O governador do Pará, Helder Barbalho, respondeu às críticas, sugerindo que Trump deveria focar em soluções para as mudanças climáticas, em vez de criticar a infraestrutura brasileira. “No mínimo, (Trump deveria) seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de R$ 1 bilhão para salvar florestas no mundo”, afirmou.

Mais recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou ações na Justiça Federal para suspender as obras em áreas ocupadas por ribeirinhos e garantir a regularização fundiária de territórios tradicionais. O MPF denunciou desmatamento, destruição de plantações de açaí e demolição de moradias sem a devida indenização ou avaliação dos impactos.

Respostas do governo e desafios futuros

Em resposta às críticas, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) defendeu a obra, afirmando que possui licença ambiental concedida após um rigoroso processo de licenciamento. A Semas destacou que a iniciativa foi debatida em audiências públicas com a participação da população e de representantes das comunidades tradicionais.

A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) também se manifestou, informando que equipes técnicas foram enviadas para avaliar os impactos, como os alagamentos já registrados em algumas áreas da nova via. Contudo, a insatisfação da população e as preocupações ambientais permanecem em evidência, levantando questões sobre a viabilidade da obra a longo prazo.

A Avenida Liberdade, portanto, não é apenas uma nova via de acesso, mas um ponto central de um debate mais amplo sobre desenvolvimento, preservação ambiental e direitos das comunidades tradicionais. A situação exige atenção contínua e um diálogo aberto entre governo, sociedade civil e especialistas para garantir um futuro sustentável para a região.

Continue acompanhando o Portal Pai D’Égua para mais informações sobre questões ambientais e urbanas que impactam a sociedade.

Fonte: g1.globo.com

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