Missa marca oito anos do assassinato de Marielle e Anderson, com condenação dos mandantes

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Rovena Rosa/Agência Brasil O pai de Marielle, Antonio Francisco da Silva Neto, disse que hoje é um dia de dor que nunca
Rovena Rosa/Agência Brasil O pai de Marielle, Antonio Francisco da Silva Neto, disse que hoje é um dia de dor que nunca

Destaques:

  • Celebração religiosa no Rio de Janeiro marca oito anos do brutal assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
  • Esta é a primeira missa no dia do crime após a histórica condenação dos mandantes pela Justiça.
  • Familiares e ativistas reforçam o legado de Marielle e a contínua luta por justiça e direitos humanos no Brasil.

Oito anos após o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, uma missa foi celebrada na manhã deste sábado (14) na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro do Rio de Janeiro. A cerimônia reuniu familiares, amigos e apoiadores em um momento de dor, mas também de um renovado senso de esperança e vitória, marcando a primeira vez que a data é lembrada após a condenação dos mandantes do crime.

O caso, que chocou o Brasil e o mundo em 14 de março de 2018, representa um dos episódios mais emblemáticos de violência política no país. A execução de Marielle, uma voz potente em defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população negra e das favelas, e de Anderson, um trabalhador que a acompanhava em sua rotina, gerou uma onda de indignação e uma incessante demanda por justiça que perdurou por anos.

A longa espera pela justiça e a recente condenação

Por um período de tempo angustiante, a investigação do assassinato de Marielle e Anderson parecia estagnada, alimentando a sensação de impunidade e a desconfiança nas instituições. No entanto, um marco significativo foi alcançado em 25 de fevereiro deste ano, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade os mandantes do crime. Foram sentenciados o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão (irmão de Domingos), o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos já estavam presos preventivamente.

A condenação dos irmãos Brazão e de Rivaldo Barbosa, figuras com influência política e policial no Rio de Janeiro, foi recebida com alívio e um senso de dever cumprido por parte da família e dos movimentos sociais. Para muitos, a decisão do STF representa não apenas uma vitória no caso específico de Marielle e Anderson, mas um recado contundente contra a impunidade e a violência política que historicamente assolam o Brasil.

A voz da família: dor, vitória e legado

Durante a missa, os pais de Marielle Franco expressaram seus sentimentos. Antonio Francisco da Silva Neto, pai da vereadora, descreveu o dia como um momento de dor que jamais imaginou que sua família enfrentaria. Contudo, ele também externou gratidão pelo apoio recebido e pela conquista da condenação dos mandantes.

“Tivemos uma grande vitória que foi a condenação dos mandantes. Eles não esperavam que isso ia acontecer com eles um dia. Tivemos esse êxito”, afirmou Antonio, refletindo o sentimento de que a justiça, ainda que tardia, foi alcançada.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, também agradeceu a todos que compartilharam a dor e a saudade. Emocionada, ela ressaltou a força do legado deixado pela filha. “Ela floresce e deixou um legado ímpar. A gente segue a lutar por mais justiça por Marielle e por todas as mulheres que foram vitimadas país afora”, declarou Marinete, conectando a luta por Marielle à causa mais ampla da defesa dos direitos das mulheres.

A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco, presente na cerimônia, compartilhou um momento de profunda emoção ao revelar que serviu de modelo para a estátua da vereadora erguida no Buraco do Lume, no centro do Rio. “Nunca na minha vida imaginei que eu serviria de modelo para o corpo de minha irmã para uma homenagem como essa. Nenhuma família deveria passar por isso”, lamentou Anielle, sublinhando a tragédia pessoal por trás da figura pública.

Mobilização e o futuro da luta por direitos

As homenagens e a mobilização em torno do legado de Marielle Franco não se encerram com a missa. Neste sábado, foi aberta a exposição Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio. No domingo (15), a luta continua com a 5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson, no Circo Voador, um evento político-cultural que reúne artistas, movimentos sociais e apoiadores da causa.

A Anistia Internacional também promoveu ações no Largo da Lapa, no centro do Rio, neste sábado e domingo. A iniciativa, intitulada Cartas para Quem Defende Direitos e Cada Peça Importa, busca resgatar a força da mobilização coletiva e convidar o público a refletir sobre outros defensores de direitos humanos que ainda aguardam justiça. A organização enfatiza que a conquista de justiça para Marielle e Anderson foi possível graças à pressão popular e que essa mesma força é essencial para proteger e reconhecer tantos outros que dedicam suas vidas à defesa dos direitos.

O oitavo aniversário do assassinato de Marielle e Anderson, agora com a condenação dos mandantes, representa um momento de reflexão sobre a resiliência da sociedade civil e a importância da vigilância democrática. A memória de Marielle Franco, que se tornou um símbolo global da luta por justiça e igualdade, continua a inspirar e a impulsionar a busca por um Brasil mais justo e menos violento. O Portal Pai D’Égua segue acompanhando de perto os desdobramentos deste caso emblemático e de outros temas relevantes, comprometido em trazer informação de qualidade e contextualizada para você.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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