Megaoperação policial desmantela rede milionária de golpes digitais em três estados

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© Joédson Alves/Agência Brasil
© Joédson Alves/Agência Brasil

Uma vasta operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, batizada de ‘Fim da Fábula’, sacudiu nesta terça-feira (24) o cenário da criminalidade digital no Brasil. A ação conjunta mira um grupo criminoso altamente organizado e suspeito de aplicar golpes digitais de larga escala, resultando no cumprimento de 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária. A ofensiva se estende por três unidades da federação – São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal –, revelando a dimensão e a capilaridade da rede que causou prejuízos milionários a cidadãos em todo o país.

A gravidade dos crimes investigados é sublinhada pelo bloqueio judicial de até R$ 100 milhões em 86 contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. Além disso, a Justiça determinou a apreensão de pelo menos 36 imóveis, incluindo bens em nome de terceiros e empresas de fachada, bem como centenas de veículos e embarcações. Tais medidas visam descapitalizar os criminosos e reaver parte do dinheiro ilicitamente obtido, evidenciando o quão lucrativo se tornou o universo dos golpes digitais no Brasil.

A Engrenagem dos Golpes: Do Falso Advogado à Mão Fantasma

As investigações revelam um repertório variado de fraudes empregadas pelo grupo, que explorava a ingenuidade e a necessidade das vítimas. Um dos golpes mais comuns era o do ‘falso advogado’, onde criminosos se passavam por representantes legais para extorquir dinheiro, geralmente alegando a necessidade de pagamentos para liberação de valores ou heranças inexistentes. A lista de fraudes incluía também esquemas envolvendo o INSS, prometendo benefícios ou revisões fraudulentas em troca de depósitos, e a sofisticada clonagem de chaves Pix, que se tornou uma ferramenta quase onipresente no dia a dia do brasileiro.

Outra tática particularmente insidiosa, e cada vez mais comum, é a do golpe da ‘mão fantasma’. Nesse cenário, os criminosos, utilizando técnicas de engenharia social, convencem as vítimas a instalar softwares maliciosos que lhes permitem assumir o controle remoto do celular. Uma vez com acesso, eles realizam transações bancárias e movimentações financeiras sem o consentimento da vítima, esvaziando contas em questão de segundos. Essa modalidade ressalta a audácia e o conhecimento técnico dos golpistas, que se adaptam rapidamente às novas tecnologias e aos comportamentos digitais da população.

A Sofisticação da Lavagem de Capitais

Um dos pontos que mais chamou a atenção na apuração da ‘Operação Fim da Fábula’ foi a complexidade do esquema de lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o grupo utilizava plataformas de apostas online, as chamadas ‘Bets’, e fintechs – empresas de tecnologia do setor financeiro – para movimentar os valores obtidos de forma ilícita. Essa estratégia permite pulverizar os recursos, dificultando o rastreamento e conferindo uma falsa legalidade às transações.

A escolha por esses canais não é aleatória. As plataformas de apostas, com seu grande volume de transações e a natureza muitas vezes anônima de seus usuários, podem ser usadas para ‘limpar’ dinheiro através de depósitos e saques simulados. Já as fintechs, com a agilidade de suas operações e a facilidade de abertura de contas digitais, oferecem um terreno fértil para a criação de ‘contas laranja’ e a movimentação rápida de grandes somas, muitas vezes antes que as autoridades possam intervir. Essa dinâmica ressalta a necessidade de uma fiscalização cada vez mais rigorosa sobre esses setores.

Um Alerta à Sociedade e o Combate Contínuo

A ‘Operação Fim da Fábula’ mobilizou mais de 400 policiais e promotores, um contingente significativo que demonstra a envergadura da investigação e o compromisso das forças de segurança em desmantelar essas redes. A abrangência da operação, que se estendeu por três estados, também serve como um lembrete contundente de que a criminalidade digital não conhece fronteiras geográficas, exigindo uma cooperação interinstitucional e regional cada vez mais robusta para ser eficazmente combatida.

Para o cidadão comum, a notícia desta megaoperação é um misto de alívio e alerta. Alívio por ver o Estado atuando no combate a crimes que impactam a vida de tantos, mas também um alerta contínuo sobre a necessidade de vigilância. A digitalização das finanças, embora traga inegáveis benefícios, exige dos usuários uma postura proativa na proteção de seus dados e na desconfiança diante de ofertas e abordagens que pareçam boas demais para ser verdade. A educação digital e a disseminação de informações confiáveis são ferramentas essenciais na proteção contra esses criminosos.

Esta operação representa um golpe significativo contra o crime organizado digital, mas a ‘fábula’ dos golpes infelizmente continua a ser escrita diariamente. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos desta e de outras operações, além de receber informações cruciais para sua segurança no ambiente digital, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é levar a você uma cobertura jornalística aprofundada, relevante e contextualizada, abordando os temas que impactam diretamente a sua vida e a realidade do nosso país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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