A ministra Marina Silva se despediu do comando do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, em Brasília, após um discurso de mais de 50 minutos. Em sua terceira passagem pela pasta, todas em mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina apresentou um balanço detalhado de sua gestão de 39 meses, que se estendeu de 1º de janeiro de 2023 a 1º de abril de 2026. O período foi marcado pela retomada da liderança brasileira na agenda ambiental global, pela significativa redução do desmatamento em biomas cruciais e pela recuperação institucional da pasta.
O discurso da ministra não apenas prestou contas, mas também delineou os desafios superados e os caminhos futuros para a política ambiental do país. A saída de Marina Silva ocorre em um momento de transição, com a nomeação de João Paulo Ribeiro Capobianco como novo titular do MMA, garantindo a continuidade das políticas estabelecidas.
A Reconstrução do Estado Ambiental Brasileiro
Ao reassumir o MMA em janeiro de 2023, Marina Silva encontrou uma estrutura que necessitava de profunda reconstrução. Segundo suas palavras, era preciso restaurar a capacidade política, ética, técnica, administrativa e operacional do ministério. A resposta a esse desafio foi a recomposição do Estado ambiental brasileiro, um processo que incluiu a incorporação de mais de 1.557 servidores ao sistema MMA, distribuídos entre órgãos essenciais como Ibama, ICMBio e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Essa reestruturação foi acompanhada por um robusto aumento orçamentário. O orçamento anual da pasta mais que dobrou, crescendo 120%. Passou de R$ 865 milhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025. “Reconstrução institucional significa gente, orçamento, governança e capacidade de execução”, destacou a ministra, enfatizando a importância desses pilares para o fortalecimento da atuação ambiental.
Resultados Concretos na Luta Contra o Desmatamento
O investimento em equipes e recursos financeiros gerou efeitos tangíveis na proteção dos biomas brasileiros. Marina Silva apresentou dados que demonstram uma queda expressiva no desmatamento. Em 2025, na comparação com 2022, a Amazônia registrou uma redução de 50% no desmatamento, enquanto o Cerrado viu uma queda de 32,3%. Esses resultados evitaram a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
A tendência de queda se manteve no ciclo mais recente de alertas, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, com uma nova redução de 33% na Amazônia e de 7% no Cerrado. A ministra expressou otimismo, afirmando que, se o ritmo for mantido, o país tem a perspectiva de alcançar a menor taxa da série histórica de desmatamento, mesmo diante de um cenário desafiador.
Fiscalização Ampliada e Recuperação de Áreas Naturais
A ampliação das equipes e o aumento dos recursos financeiros permitiram uma atuação mais incisiva nas áreas mais ameaçadas. As ações de fiscalização do Ibama na Amazônia cresceram 80%, e as do ICMBio, 24%, em comparação com 2022. Esse reforço resultou no aumento das áreas embargadas na Amazônia, que cresceram 51% pela atuação do Ibama e 44% pela do ICMBio.
A mineração ilegal na Amazônia, um dos maiores desafios ambientais, foi reduzida em 50%. Além disso, entre 2022 e 2025, o Brasil avançou na recuperação da vegetação nativa, com 3,4 milhões de hectares em processo de restauração, demonstrando um esforço abrangente na proteção e recuperação ambiental.
Legado e a Continuidade da Política Ambiental
A saída de Marina Silva do MMA, pela terceira vez sob a gestão do presidente Lula, simboliza um ciclo de reconstrução e reafirmação do compromisso ambiental do Brasil. A nomeação de João Paulo Ribeiro Capobianco como seu sucessor, conforme decreto presidencial publicado em edição extra do Diário Oficial da União, visa assegurar a continuidade das políticas ambientais adotadas nos últimos anos. Para mais detalhes sobre a nomeação, clique aqui.
Em seu discurso, Marina Silva reiterou sua visão de que a “ação política é um serviço” e se descreveu como “persistente”, não otimista ou pessimista. Ela utilizou a metáfora dos “anjos com uma só asa” para ilustrar a necessidade de união e colaboração. A ministra concluiu com uma advertência contundente: “não existe civilização se o negacionismo prevalece. Se prevalece, talvez não exista nem planeta”, reforçando a urgência e a seriedade da pauta ambiental.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br