Mais de cem mortos em operação no rio levanta críticas de especialistas

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© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Rio de Janeiro enfrenta um histórico de operações policiais com alta letalidade, concentradas principalmente na zona norte da cidade, evidenciando a persistente dificuldade do estado em lidar com o avanço do tráfico de drogas nas últimas décadas.

Os moradores dos Complexos do Alemão e da Penha testemunharam cenas de confronto durante a operação policial ocorrida em 28 de outubro, que resultou em mais de 120 mortes.

Segundo o governo do estado, a operação foi planejada ao longo de um ano e mobilizou 2.500 policiais civis e militares. O objetivo principal era cumprir mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho, considerada a maior facção criminosa do estado. Durante a ação, a população local enfrentou a suspensão do transporte público e ficou exposta ao fogo cruzado.

O pesquisador Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, considera uma operação com esse número de vítimas fatais uma catástrofe. Ele questiona como as Polícias serão convencidas de que uma operação com quatro policiais mortos é um sucesso, destacando a dimensão inédita do ocorrido e a necessidade de mudança no modelo de atuação para evitar a repetição de eventos semelhantes.

A política de segurança pública do Rio de Janeiro, que prioriza o confronto, é alvo de críticas por parte de pesquisadores e especialistas. O professor de sociologia José Cláudio Souza, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, aponta que essa abordagem tem raízes na ditadura militar de 1964 e se manifesta de forma legal e ilegal, sustentada por uma estrutura violenta institucionalizada. Ele observa um crescimento na retaliação por parte de grupos armados não estatais.

José Cláudio Souza defende a necessidade de articular um conjunto de políticas públicas para abordar as causas da violência, argumentando que depositar a responsabilidade exclusivamente nas mãos da polícia é ineficaz. Ele enfatiza que outros países adotaram medidas integradas para promover o avanço em regiões afetadas pela violência.

A segunda operação mais letal da história do Rio ocorreu em 2021 na Favela do Jacarezinho, resultando em 28 mortes, cerca de 25% do número de mortos na operação mais recente. Outras operações marcantes incluem a da Vila Cruzeiro em 2022, com 24 mortes; no Complexo do Alemão em 2007, com 19 mortes; e em Senador Camará em 2003 e Fallet-Fogueteiro em 2019, ambas com 15 mortes.

Com informações da repórter da TV Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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