Em meio à correria do dia a dia, é comum que pequenos desconfortos sejam relegados ao status de “normalidade” ou “cansaço da rotina”. Contudo, alguns sinais persistentes, como fadiga excessiva, sangramentos inexplicáveis ou infecções frequentes, não apenas merecem, mas exigem atenção imediata. O alerta é reiterado pela médica onco-hematologista Giovanna Ghelfond, especialmente no contexto da leucemia, uma doença grave que afeta a produção de células sanguíneas na medula óssea. O diagnóstico precoce emerge como um pilar fundamental no combate à enfermidade, tema central da campanha Fevereiro Laranja, que anualmente mobiliza profissionais de saúde, órgãos governamentais e a rede particular em todo o Brasil, buscando conscientizar a população sobre a importância da detecção em estágios iniciais e da doação de medula óssea.
A Complexidade da Leucemia: Um Câncer do Sangue
A leucemia é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, a verdadeira “fábrica” do sangue no nosso corpo. É nesse ambiente que são produzidos glóbulos vermelhos (responsáveis pelo transporte de oxigênio), plaquetas (que atuam na coagulação) e glóbulos brancos (os defensores do organismo). Na leucemia, a produção descontrolada de células brancas anormais compromete a função da medula, prejudicando a fabricação de células saudáveis e, consequentemente, afetando as defesas e o equilíbrio do corpo. A doença pode se manifestar de diversas formas, sendo as Leucemias agudas caracterizadas por uma evolução rápida e sintomas mais evidentes, enquanto as Leucemias crônicas progridem de maneira mais lenta, muitas vezes sem apresentar sinais claros em seus estágios iniciais, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.
Sinais de Alerta: Quando Procurar Ajuda Médica
A médica Giovanna Ghelfond enfatiza que, na maioria dos casos, não existe uma forma específica de prevenir a leucemia, visto que sua causa não está ligada a um único fator evitável, como ocorre com outros tipos de câncer. Isso reforça a criticidade da vigilância aos sintomas. Os principais sinais de alerta incluem cansaço excessivo e persistente, palidez inexplicável (ambos indicativos de anemia, causada pela baixa produção de glóbulos vermelhos saudáveis), febre constante e infecções frequentes (sinal de um sistema imunológico enfraquecido pela disfunção dos glóbulos brancos), manchas roxas ou sangramentos sem causa aparente (devido à diminuição das plaquetas), perda de peso inexplicada e o aumento de gânglios (ínguas). Ao identificar qualquer um desses sintomas de forma persistente, a busca por avaliação médica é imprescindível. Não se trata de buscar um diagnóstico aterrorizante, mas de exercer o autocuidado e a responsabilidade com a própria saúde.
A Jornada do Diagnóstico e a Importância do Hemograma
O diagnóstico precoce da leucemia não depende de um exame de rastreamento de rotina, mas sim de uma observação atenta aos sintomas e da realização de exames de sangue indicados. O primeiro passo, e frequentemente o mais acessível, é o hemograma simples. Este exame de sangue, que pode ser solicitado por qualquer médico, não apenas por um hematologista, é capaz de indicar alterações significativas nas contagens das células sanguíneas, levantando a suspeita de leucemia. Uma vez que o hemograma aponte anomalias, exames complementares como o mielograma (análise da medula óssea), imunofenotipagem e exames genéticos são cruciais para a confirmação do diagnóstico, a identificação do tipo específico de leucemia e a definição do plano de tratamento mais adequado. É fundamental entender que o diagnóstico precoce, embora não previna a doença, potencializa as chances de sucesso terapêutico, principalmente nas formas agudas da leucemia, que exigem intervenção rápida.
Leucemia no Brasil: Números e Impacto Social
A leucemia representa um desafio significativo para a saúde pública brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025, o Brasil deve registrar cerca de 11.540 novos casos anuais da doença, sendo a maior parte em homens (6.540) e 5.680 em mulheres. Globalmente, a leucemia corresponde a aproximadamente 2,5% dos casos de câncer. É notável que a doença atinja todas as faixas etárias, sendo o câncer mais comum em crianças e apresentando incidência significativa em adultos, especialmente idosos (média de 68 anos). Essa diversidade de público reforça a necessidade de campanhas de conscientização abrangentes e a adaptação dos serviços de saúde para atender às particularidades de cada grupo, desde a oncopediatria até a geriatria oncológica.
Avanços no Tratamento e o Poder da Informação
As opções de tratamento para a leucemia evoluíram consideravelmente nas últimas décadas. A escolha da terapia depende do tipo específico de leucemia, do estágio da doença e das características individuais do paciente, podendo incluir quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e, em casos selecionados, o transplante de medula óssea. Graças a esses avanços na hematologia, muitos tipos de leucemia hoje apresentam altas taxas de controle e até mesmo de cura, especialmente quando identificadas e tratadas precocemente. A campanha Fevereiro Laranja tem um papel vital nesse cenário, não apenas disseminando informações sobre a doença e seus sintomas, mas também ressaltando a importância crucial da doação de medula óssea, um ato de solidariedade que pode salvar vidas de pacientes que necessitam de transplante e dependem da compatibilidade de um doador não aparentado.
A Mobilização Local: Belém e o Fevereiro Laranja
A relevância do Fevereiro Laranja se manifesta concretamente nas ações desenvolvidas localmente, como as promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). Ao longo de todo o mês, as unidades de saúde da capital paraense intensificam as atividades de educação e distribuição de materiais informativos. Iniciativas como a abertura da campanha na Unidade Básica de Saúde da Pratinha e a ação direcionada à Casa do Idoso, buscam dialogar diretamente com a população, fornecendo orientações claras sobre os primeiros sintomas e a importância de procurar atendimento médico. Essas estratégias locais são fundamentais para capilarizar a informação e garantir que a mensagem de que “informação salva vidas” alcance todos os cantos da cidade, incentivando a população a não hesitar em buscar ajuda diante de sinais suspeitos, o que pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes.
Compreender os sinais que o corpo emite e agir proativamente são gestos de cuidado inestimáveis. O Portal Pai D’Égua reitera seu compromisso em trazer informações de qualidade e relevantes para a população, abordando temas de saúde pública e muito mais. Continue acompanhando nossas matérias para se manter sempre bem informado e ciente dos assuntos que impactam sua vida e a comunidade.
Fonte: https://www.oliberal.com