Um levantamento recente realizado pelo Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quinta-feira (26), revela que a violência armada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro permaneceu em patamares elevados ao longo de 2025.
Mesmo com a identificação de 2.315 tiroteios na região, que representam o menor patamar de violência armada no Rio desde 2017, houve um aumento na letalidade dos conflitos. Cerca de 39% dos tiroteios ocorreram em ações policiais, sendo essa a maior proporção já registrada pelo Fogo Cruzado.
Apesar da redução no número de tiroteios, o balanço aponta um total de 1.722 pessoas baleadas no Grande Rio, o que representa um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Dentre essas vítimas, 944 pessoas perderam a vida, um aumento de 23%, e 778 ficaram feridas.
Letalidade policial e confrontos entre grupos armados
Segundo o levantamento, o número de mortos em operações policiais na Região Metropolitana do Rio chegou a 460 em 2025, um aumento de 52% em comparação com o ano anterior. Além disso, houve um aumento significativo de 133% no número de mortos em chacinas policiais em relação a 2024.
Chama atenção no relatório do Fogo Cruzado o crescimento dos confrontos entre grupos armados. Em 2025, as disputas por território aumentaram em 26% em relação ao ano anterior, impactando diretamente no funcionamento dos serviços públicos essenciais na região.
Os reflexos das disputas territoriais chegaram a comprometer o calendário escolar, resultando na interrupção de 47 dias letivos devido aos confrontos na Região Metropolitana do Rio.
Refino de cocaína e impacto no Brasil
O estudo também identificou que 550 laboratórios de processamento de cocaína foram desmantelados no Brasil entre janeiro de 2019 e julho de 2025. Dentre esses laboratórios, 159 realizavam o refino da droga e 370 faziam a sua adulteração.
Os dados do Fogo Cruzado revelam que o Brasil passou de apenas mercado consumidor e corredor de exportação para se tornar um centro relevante de refino de cocaína, o que tem impactos significativos na segurança e no combate ao tráfico de drogas no país.
Diante desse cenário preocupante, é essencial que medidas efetivas sejam tomadas para combater a violência armada e a letalidade que assolam o Grande Rio. A sociedade civil, as autoridades e os órgãos competentes precisam unir esforços para garantir a segurança e a proteção da população.